segunda-feira, 25 de março de 2013

Homenagem

Queria ser o Rio Capibaribe
Que como a maré, enche de água os teus olhos
Nesse canto de amor ao teu lugar

Queria cantar como as ondas
de um fim de tarde batendo
Nem que seja num momento
Para de mim se lembrar

Mas poderia ser o Mercado de São José
Penetrar-te na memória
que só o aroma pode ter

Qualquer rua que te encante
ou sombra que te proteja
Pedras por onde pisas
ou camas em que te deitas

Tudo que, por aqui
Aos olhos possa encantar
Ou fruto doce da terra
Para em tua boca acabar

quarta-feira, 20 de março de 2013

Rua do Hospício

Rua do Hospício!
Com quantos segredos contamos tua história?
Com quantas loucuras guardamos tua memória?

Peguem, peguem!
Há um menino pedindo esmola!
Há uma fumaça cheirando a esgoto!

Camisa de força! Cadê?
Para os que insistem em lutar.
Parem os carros de som, parem os que teimam viver!

Rivotrill, Lexotan, Menelat, Gardenal!
Pois há um acidente na estrada
Há uma nudez imoral

(...)

- Imoral é a fome, Rua do Hospício!

Prendam, internem-na
E no final, agradeçam a Deus...
Pois, lá, naquela esquina, há um homem, de gravata e bíblia na mão
Maldizendo a loucura e vendendo a salvação.



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lutar pelo Protagonismo é Lutar pela Hegemonia


Protagonismo. Não há ninguém que participe, minimamente, do ambiente político que não entenda o real significado dessa palavra. Ser protagonista de um projeto político é tarefa árdua, principalmente para os jovens socialistas. Lutar pela hegemonia política necessária para implementar as transformações de que o nosso país precisa passa por uma série de fatores que exigem uma dedicação, disciplina e formulação muitas vezes cansativas, mas instigantes. Ser protagonista no campo das ideias, na disputa democrática e entre os movimentos sociais é uma conquista, um objetivo permanente e, não raramente, exercitado pelos estudantes brasileiros.

A UNE, dirigida pelos socialistas, para conquistar o protagonismo, sempre esteve na vanguarda daquilo que é estratégico para a construção de um Brasil cada vez mais forte e soberano. Os estudantes brasileiros sempre se negaram às posturas corporativistas e estreitas; muito pelo contrário, o interesse dos estudantes é interesse da nação. Não obstante, a UNE protagonizou, por exemplo, a criação da Petrobrás, exigiu, formulou e mobilizou para que o petróleo fosse nosso. Hoje, o Brasil está entre um dos maiores produtores de petróleo do mundo e, com a produção do pré-sal e outras políticas de crescimento econômico, alavancado a 6ª maior economia do mundo. Vitória dos estudantes. Através da UNE e da UBES protagonizamos a resistência à repressão do Regime Militar, derramando sangue e tendo muitos de nossos companheiros assassinados; protagonizamos a derrubada de um presidente corrupto, lutamos contra o neo-liberalismo e protagonizamos a construção de um país diferente do que outrora tivemos – complexo, mas de imensas possibilidades - . O símbolo da UNE é o Brasil!

Para Gramsci e Lênin, a sociedade é um todo orgânico e unitário que se explica a partir da base econômica, mas que não pode ser reduzida inteiramente a ela, pois para tal redução implicaria a negação da ação política e da própria hegemonia. Lênin já afirmava que cabe aos comunistas intervir em todos os momentos da vida social e política e movimentar-se em todas as camadas da população. Ou seja: forte como uma rocha nas ideias e fluido como água na penetração. É por isso que atuamos entre jovens cientistas, negros, mullheres, LGBT’s etc. Bandeiras que, entre os socialistas, são partes de um objetivo muito maior.

E antes que sejamos questionados pelos saudosistas, é gratificantes sentir o protagonismo sendo exercitado, ainda hoje, num ambiente político muito mais favorável. A UNE, junto com a UBES e ANPG, tem protagonizado lutas que farão diferenças profundas no Brasil, a curto, médio e longo prazo na dura caminhada por esse país soberano. O ano de 2012 foi um ano de intensa mobilização por recursos condizentes com o desafio que é radicalizar na melhoria da educação. Capitaneado pelos estudantes, hoje, todo o país conhece e concorda com a bandeira por 10% do PIB para a educação; hoje, o país reconhece a liderança da UNE a importância de termos os royalties do petróleo para a educação. Por uma Universidade para todos e de qualidade, por escolas públicas equipadas e bem preparadas, por salário digno aos professores, por currículos que atendam às reais necessidades do povo brasileiro.

Organizar um Conselho Nacional de Entidades de Base, um Encontro Nacional de Grêmios e uma Bienal no nosso estado faz parte desse árduo trabalho de luta pelo protagonismo e, em consequência, pela hegemonia. Serão milhares de grêmios estudantis, diretórios acadêmicos e estudantes de todo o país discutindo transformações que atingirão a totalidade de nossa população. Debatendo e afirmando que a Universidade precisa de uma Reforma que garanta qualidade, acesso e permanência para todos os estudantes. Além disso, nosso exército estará armado em várias outras trincheiras, debatendo cultura, ciências, esportes. Olinda e Recife, que hoje vivem momentos de otimismo e grandes expectativas, terão grande oportunidade de serem sedes de um momento histórico, mais uma vez protagonizado por nós, jovens socialistas.

Vamos à luta!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ausência


“Tchau, pai!” – Dizia eu ao avistar o avião por cima da cabeça.

Andávamos em fila, do maior ao menor, todos acenando com a mão para os seus pais no avião.

Tudo era ausência, ausência presente! Ausência que marca, e que faz parte do cenário. É como o silêncio que diz, como o negro da noite. É tudo ausência.

Ausência gritando por mais atenção, ausência que dá febre!

E de lá de baixo, eu ainda gritava: “Tchau, pai!”.

Ausência, nada mais que ausência, respondendo às chamadas da escola, explicando a excentricidade alheia. Ausência nos gritos de gol, ausência de voz...

E o avião passava, todos os dias... Mas já não achava graça em dizer o “tchau, pai!”

Adeus, a Deus eu pedia, que fosse adeus. Adeus para a ausência, cruzando os dedos para ela se fazer ausente, mas a ausência, teimosa, não deixava de se mostrar, de se exibir.

Mas a ausência é discreta, vez em quando vem me atormentar, nas palavras traiçoeiras de quem te protege, e a gente se acostuma, a gente se ausenta...

Aquela criança do “tchau, pai” tornou-se ausente, ausente dos abraços exagerados, dos sorrisos escangalhados.  Aquela criança, ao ver os aviões passarem, só lembra o quanto de ausência existe no mundo.

E lembra, como se desculpando, que todos somos um pouco de ausência.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Tempos


São tempos de photoshop, tempos de autotunes, tempos de inglês norte-americano. A verdade, essa que chega sem convite, mantenhamos do lado de lá. Afinal de contas, são tempos de distância.

São tempos de maquiagem, nos olhos, na boca e no espírito.

São tempos de dizer amor, e repito: tempos de dizer amor, não de fazer. São tempos dos poetas, das canções bonitas, nada mais.

São tempos de personas, tempos de tê-las ou não, tempos de persuasão. Afinal de contas, propaganda ainda é alma do negócio.

São tempos de negócios, tempos de gravatas e segredos comerciais. São tempos de termos de posse.
São tempos em que a palavra não nos pertence, são tempos em que tudo já foi dito, tempos de toga, que fazem, repetem e produzem discursos pertinentes.

São tempos que nos pertencem, são tempos de informação. Tempos que se renovam e que te dizem que vale a pena renovar a esperança por tempos de paz.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Funeral


Falta a marcha fúnebre, os olhos embargados, as flores e seus cheiros, além das vestimentas escuras. Mas não há nada que me convença de que ao ver uma mudança de “status de relacionamento” nas redes sociais não exista a subentendida placa “Aqui jaz um coração”.

No mundo das relações virtuais, ter um facebook é praticamente a mesma coisa do que ter RG. As pessoas nem se preocupam mais em saber onde as outras moram, ou pedir o telefone. O critério é o facebook. Afinal de contas, como vou saber com quem ele/ela anda, o que ele/ela faz, ou como se veste, ou pra onde sai¿

Nessas relações, ter facebook é exigência. Sem ele, não há como controlar, não há como levantar outra placa, cujas inscrições dizem o seguinte: “propriedade privada de fulano de tal”. Nas relações pós redes sociais, as declarações de amor são intensas, com foto-mensagens, frases feitas e copiadas. É o reino da Clarice Lispector, do Caio Fernando Abreu, e também daqueles que fingidamente se declaram felicíssimos ao viverem sozinhos.

É a sociedade do controle invadindo nossas máquinas, são as câmeras das ruas, são as senhas e portas com detectores de metal, é o facebook lhe obrigando a fazer o “check-in” a fim de que o companheiro acredite onde você está. Os relacionamentos foram invadidos pela necessidade da prova de inocência. Não há inocência presumida. No facebook somos sempre culpados em potencial. À espera de pagarmos pelo crime que não cometemos.

São prisões, pintadas de azul e branco, que não lhe permitem “curtir” ou “compartilhar” momentos de felicidade que precisam e querem ser lembrados. Relacionamentos de 140 caracteres, que não aceitam o que é clássico. É tudo dito brevemente. Sem olhos, sem olhares. São frases soltas, copiadas e sempre bem utilizadas como indiretas. São armas, apontadas pra você a cada hora que a luz do seu computador acende.

São velas, dum velório presumido do que chamamos relação. Proteja-se!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Condene-me


A culpa é da poesia
Não há prova do contrário
Essa poesia sem horário
Sem noite e sem dia

A culpa é da poesia
Essa poesia que dilacera
E que ao mesmo tempo acelera
Um pouco dessa agonia

A culpa é da poesia
Prendam-na, condenem.
Não deixem passar impunemente
A causa da letargia

A culpa é da poesia
É criatura peçonhenta
Invade tua moradia
E rápido te arrebenta

A culpa é da poesia
Insistente em nossas bocas
Que mesmo sendo tão rouca
Abocanha a calmaria

A culpa é da poesia
Que não aceita se calar
Roubando o pouco do ar
Que resta quando te via

A culpa é da poesia
Sabemos desde o começo
E pagamos pelo preço
De querê-la em demasia

Mas não matem a poesia
Guardem-na nos porões
Acorrentem os corações
Que cantam sua melodia