domingo, 26 de julho de 2026

Reconhecer

 Não sei se é a mim que reconheço quando vejo o sorriso dela, ou se é a ela, fazendo-me conhecer de novo a sensação que só o gosto da pele dela é capaz de me fazer sentir.

Não sei se reconheço o que tava escondido em mim ou que se escondeu nela. Se foram os sinais do seu corpo ou a minha entrega. Mas eu reconheço.

Não sei se são as notas daquela canção que dediquei a ela ou as linhas daquele poema. Se são seus olhos pedindo c afago ou a revolução que um dia proclamamos juntos. Mas eu reconheço.

Reconheço o toque. Reconheço os lábios. Reconheço a menina e a mulher. A fraqueza e a coragem.

Reconheço o que sou e o que fui. O que achei é o que perdi.

E assim, de tanto te conhecer e reconhecer de novo, vejo a luz que brilha ali, no futuro.

De tanto te conhecer e reconhecer, conheço um pouco da felicidade de quem experimenta novos sabores. Como um sonho de padaria. Deve ser assim o amor. Eu reconheço. 

terça-feira, 19 de maio de 2026

Entre o crescimento econômico e a percepção popular



Entra pesquisa e sai pesquisa; entra escândalo e sai escândalo e um consenso vai sendo cada vez mais formado entre nós: o de que, mesmo diante de tantas entregas do Governo Lula 3, a percepção do eleitorado sobre ele continua muito abaixo do esperado.

Para além da questão da polarização política, que transforma cidadãos e eleitores em torcida, várias são as tentativas de explicação para tal fenômeno. Dentre os principais diagnósticos, o mais amplamente divulgado é o que atribui à comunicação institucional do governo o ônus e o bônus das reações populares. Dessa forma, bastava comunicar bem as “entregas” que a população - mesmo aquela mais seduzida por ideias contrárias - seria convencida.

Essa explicação, embora com algum sentido, é insuficiente para justificar a insatisfação de parte do trabalhador brasileiro que ainda não consegue, mesmo com o aumento da renda, acessar determinado padrão de consumo, ou que para comprar o celular desejado, precisa se endividar no cartão de crédito, pagando altas taxas de juros.

Também não é suficiente para explicar que, ainda que com todo o esforço do Governo Federal, nossos serviços básicos ainda são muito ruins (saneamento, educação, saúde, segurança, transporte público etc.) e que, a partir deles, um abismo é criado entre aqueles que acessam serviços de qualidade a altos custos e os que são obrigados a “aceitar” o que o estado oferece.

Dito de outra forma, o PIB cresce, mas “o povo não come PIB” e, ainda parafraseando Maria da Conceição Tavares, não se locomove num PIB de quatro rodas, nem coloca seu filho pra estudar num PIB. O povo não quer só comida, ele quer trem bala, ruas e avenidas limpas, moradias dignas, educação pública de qualidade. Questões estruturais que não cabem nos R$ 158,6 bilhões de um Bolsa Família, por exemplo. Mas que precisaria de algo na casa dos trilhões, de verdadeiras reformas que o rentismo e nossa condição de nação periférica impedem.

Essa perspectiva não se constrói com os juros na casa dos 15% ao ano, visto que drena toda possibilidade de reindustrialização do país, onde moram os empregos de qualidade e as ferramentas de modernização nacional.

Nesse sentido, é urgente retomar o projeto de nação como norte de superação dos obstáculos impostos ao país nos últimos anos, sobretudo a hegemonia da oligarquia financeira e do imperialismo.

Essas mudanças, obviamente, não se fazem apenas com discursos. Elas exigem reformas do Estado brasileiro que permitam a execução do programa escolhido nas urnas, sobretudo quando forças progressistas chegam ao governo. Hoje, regras constitucionais regressivas - como independência do Banco Central, arcabouço fiscal, hipertrofia dos órgãos de controle - atuam como verdadeiros entraves ao desenvolvimento nacional.

Soma-se a isso, um efeito que as políticas neoliberais provocaram na superestrutura ideológica da sociedade brasileira, que são as ideias individualistas, acentuadoras de nossas contradições internas e que fazem crer que a política - e o Estado - é incapaz de realizar as transformações necessárias. Daí a ausência desse Estado como indutor de políticas chaves para a industrialização que possibilitaria ao país ter os trens de alta velocidade, a universalização do saneamento básico ou do Ensino Superior, por exemplo.

Enquanto isso, assistimos a uma reprimarização da nossa economia que nos impede de dar saltos adiante e que comunicação eficaz nenhuma no mundo daria conta de superar.

O desafio do Brasil não é apenas comunicar melhor suas conquistas, mas voltar a oferecer ao povo um horizonte concreto de transformação nacional. Um país onde trabalhar permita viver com dignidade, consumir sem endividamento permanente, acessar serviços públicos de qualidade e sonhar com um futuro melhor para os filhos. Sem enfrentar o poder do rentismo e os bloqueios estruturais impostos ao desenvolvimento nacional, nenhuma campanha de comunicação será capaz de preencher o vazio entre os indicadores econômicos e a experiência real da população.

sábado, 12 de julho de 2025

Educação e Projeto Nacional de Desenvolvimento



Primeiramente, gostaria de avisar aos leitores deste texto que este não é um texto, digamos assim, popular. Afinal de contas, pretendo, aqui, desmistificar e, ao mesmo tempo, colocar certas polêmicas no trato que tem sido dado pelos movimentos sociais da educação a certas questões.

Dito isso, é preciso realçar que, em que pese o histórico de exclusão e seu caráter de classe, o final do Século XX e início do XXI passou a ser tempo de mudanças profundas (na verdade, não tão profundas assim, digo por que a seguir) em seu processo de inclusão. Esse processo é fruto de lutas que tomaram, por força dessas mesmas lutas, formas juríricas em diversos documentos norteadores da política nacional de educação. São eles:

1. Constituição Federal;

2. LDB;

3. Plano Nacional de Educação;

4. Estatuto da Criança e do Adolescente;

5. Diretrizes Curriculares Nacionais;

6. Base Nacional Comum Curricular;

7. FUNDEB;

8. Política Nacional de Alfabetização;

9. Programa Nacional do Livro Didático

10. IDEB 

Não pretendo aqui, dissecar um por um dos documentos supracitados, mas ressaltar aspectos que se relacionam entre eles, sobretudo os três pri(ncipais)meiros - Constituição; LDB e PNE -, cotejando seus princípios e finalidades com um Projeto Nacional de Desenvolvimento, que deveria ter como uma de suas molas propulsoras uma educação a serviço desse objetivo.

Nesse sentido, não é demais destacar que o que chamo de três principais documentos revelam o porquê da educação brasileira, seus objetivos e princípios. Dentre eles, universalidade e gratuidade do ensino público (CF, LDB, PNE); gestão democrática, liberdade de ensino e valorização profissional; igualdade de condições para acesso e permanência; pluralismo de ideias; vinculação entre educação e trabalho; consideração (?) com a diversidade étnico-racial - incluído na LDB em 2013 -; respeito às pessoas surdas, surdo-cegas e com deficieência auditiva (incluído em 2021); além das metas estipuladas no PNE que versam, principalmente, sobre a universalização do Ensino Público brasileiro e da Lei nº 12. 612 que tornou Paulo Freire patrono da Educação Brasileira.

Todas essas declarações de princípios, cuja palavra “liberdade” se repete em vários artigos, são úteis, é verdade, mas um tanto quanto genéricas e frutos de um contexto liberal, cuja presença do estado não se faz para além daquilo que é “obrigação”. Dito isso, como diz Eni Orlandi, o silêncio fala, e há determinados silêncios nesses documentos sobre os quais gostaria de me ater.

A primeira ausência - ou silêncio - é a relação entre a divisão internacional do trabalho e o papel do Brasil nessa divisão. A que serve nossa educação, levando em consideração essa divisão internacional? Quais as vocações nacionais devem ser estimuladas e quais aspectos devem ser suprimidos? A segunda, correlata à primeira, diz respeito à falta, justamente, de um Projeto Nacional, agindo como se essa educação - reino da liberdade e da pluralidade - se desse em campo aberto para a circulação dessas ideias.

É preciso dizer que, mesmo nos melhores momentos da política nacional, todas as modificações nesses documentos foram superficiais, atendendo a aspectos individuais que pouco contribuíram para unir o país e o setor educacional em torno de um propósito nacional.

Esses objetivos e alterações partem de um falso pressuposto de que o estado é neutro, que ele paira sobre os súditos da nação, tentando administrar todos os lados possíveis - sendo assim, a educação refletiria essa aparente neutralidade, oferecendo a todos a sensação de que estão incluídos no processo.

Difrentemente dos chineses, ou coreanos, alemães, entre outros, nossa educação - e seus documentos norteadores - desprezam a óbvia verdade de que a disputa entre estados, a luta de classes em dimensões internacionais (e os episódios mais recentes só comprovam isso) levam a uma necessidade de preparar mais e melhor os filhos da nação para isso. Afinal de contas, quantos engenheiros civis o país pretende formar? Quantos professores? Quantos agrônomos? Quantos arquitetos? Para o quê? Quando? Onde?

Essas são respostas que, infelizmente, nossos documentos não dão. Até porque num país cuja principal agenda política é a administração de uma economia fiscal, agiotagem e venda de commodities basta; e montar um sistema educacional que se contraponha a isso enfrenta várias resistências , inclusive entre os nossos, por falta de convicção e/ou princípios nacionais. 

Dito isso, é preciso também afirmar que, em que pese as insuficiências expostas neste texto, como dito acima, os documentos já representam um avanço considerável para um país cuja educação pública era proibida para negros e negras, um país cujo abismo social se reflete absurdamente nas nossas estruturas educionais e são resultado de décadas e décadas de lutas por uma educação pública de qualidade. O que este texto desafia o leitor a pensar é no passo a mais, no salto de qualidde que a nossa educação pode dar para modernizar o estado brasileiro e colocá-lo em par de igualdade com as nações mais desenvolvidas do mundo e essa é uma agenda que o campo democrático e progressista pode se desafiar a pensar. 

Vamos pensar juntos?

sábado, 21 de junho de 2025

Marxismo vivo é aquele que nos ajuda a ver a realidade







 A teoria de Marx

 é todo-poderosa porque ela é verdadeira

 

Vladimir Ilitch Lênin

 

 

Durante grande parte da minha militância, ouvi e ouço, às vezes com ares de grande descoberta, questionamentos ou afirmações cheias de certeza sobre uma certa falta de atualidade e relevência do Marxismo nos tempos em que vivemos. 

As críticas partem de todos os lados: da direita, que, em verdade, apenas escamoteia seus verdadeiros interesses e tenta omitir aquilo que é mais óbvio da teoria marxista (luta de classes, base econômica das relações sociais, dominação ideológica das classes dominantes, etc.) e, por parte da esquerda, uma provocação acerca de uma suposta obsolescência, de que o Marxismo simplesmente não oferece mais respostas aos problemas de nosso tempo; o que, obviamente, apenas reflete um desconhecimento da teoria, uma capitulação às ideias liberais, àquilo que rende mais likes e uma falta de capacidade de aplicação crítica e criativa de um método que, sobretudo, pretende se debruçar sobre a realidade que existe, não aquela que desejamos. 

A questão, portanto, que mantém o marxismo renovado e relevante não é o tom profético de muitas afirmações feitas por Marx e Engels no século XIX, mas o olhar que ele direciona aos problemas de seu tempo, baseado numa filosofia cuja raiz não surge da mente desses dois intelectuais, mas de uma tradição filosófica da humanidade: o materialismo; aliado à dialética hegeliana (de base idealista) e à economia de nomes como David Ricardo e Adam Smith. Não por coincidência, a principal obra do Marxismo não é uma obra sobre um ideal de sociedade, mas sim a que disseca a sociedade capitalista e seus mecanismos de produção, reprodução e circulação de mercadorias e riquezas. 

Foi da mesma forma, mesmo antes do lançamento de O Capital, através da articulação das três “epistemes”, que obras como As Lutas de Classes na França; Guerra Civil na França e a Situação da Classe Operária na Inglaterra fizeram análises da realidade concreta, baseadas em algumas premissas que permanecem bastante atuais, a saber: 

1) Distinção entre aparência e essência dos fenômenos sociais;

2) Identificação das contradições centrais que motivam determinado conflito;

3) Identificação dos principais inimigos e potenciais aliados;

4) Identificação dos interesses das classes sociais e de suas frações;

5) Atuação baseada na práxis revolucionária (não basta decifrar o mundo, mas sim mudá-lo, Tese 11 de A Ideologia Alemã) para alterar a correlação de forças; 

No atual estágio das lutas de classes no mundo e especialmente no Brasil, portanto, aplicar essa metodologia, esse olhar para a realidade, nada mais é que fazer vivo o Materlismo Dialético. Ou seja, não é preciso transpor frases prontas de obras clássicas, mas adotar determinada postura para analisar e atuar na realidade, observando todo o contexto possível para a realização de nossas vontades, para que não passemos a mirar nossas armas para os alvos errados, no momento errado. 

No Brasil, por exemplo, parte da dita esquerda radical, prefere apontar suas armas para o Governo Federal, sem identificar os elementos citados acima, fazendo crer que apontar suas insuficiências e limites bastaria para alterar a correlação de forças. Da mesma forma, a esquerda mais moderada é tomada por uma verdadeira ilusão de classes e por uma espécie de má vontade em identificar a essência dos fenômenos, uma certa preguiça e falta de convicção de atacar os verdadeiros problemas estruturais da sociedade brasileira (política macroeconômica, ausência de projeto nacional, entre outros). 

Dito isso, parece mais nítida a percepção de que a teoria revolucionária não está fora de moda, até porque o esgotamento da sociedade capitalista e a emergência de modelos alternativos de desenvolvimento (vide China e Vietnã) fazem essa teoria se renovar e beber de experiências históricas da humanidade - confucionismo na China, por exemplo. 

Nesse contexto de confusão teórica, de visão um tanto quanto turva para os verdadeiros problemas, faz-se fundamental não perder de vista esses elementos basilares para fazer qualquer análise que se preze. É isso que torna o marxismo vivo e a verdadeira arma para transformar a realidade de maneira profunda, visto que continua a ser a única ciência que pretende acabar com a exploração do homem pelo homem, para garantir um futuro de paz e prosperidade. Para isso se realizar, não se perder no mar de distrações e enxergar a profundidade desse oceano que navegamos é tarefa daqueles que se dizem agentes transformadores. Sem apenas sonhar, mas produzindo e analisando as verdadeiras condições para realização do nosso sonho de verdadeira emancipação da classe trabalhadora. A luta continua e, enquanto, existir o marxismo permanecerá vivo e atual.

 

 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Cenas explícitas de luta de classes


Quando o Muro de Berlim caiu em 1989, uma das falas mais marcantes e que demonstravam bem o interesse do Império foi a do filósofo nipo-americano Francis Fukuyama, que, a partir daquele momento decretava o "fim da história".

Obviamente, ao decretar o fim da história, Fukuyama estava, ao lado dos vencedores, declarando a vitória e supremacia do Império perante os povos explorados e os trabalhadores de todo o mundo. Batia de frente com as concepções marxistas que apontavam a luta de classes como motor da história.

Além dele e da direita neoliberal de todo o mundo, partidos de esquerda também passaram a desacreditar num futuro justo para a humanidade e, a partir daí, concepções niilistas, individualistas, pós-modernas e multiculturalistas foram tomadas - mas todas partindo de um princípio: fomos derrotados no que de mais profundo poderia existir, que era uma transformação do modelo econômico-social de desenvolvimento do mundo.

Essas concepções nos tornaram cada vez mais reféns de disputas no seio da sociedade de cunho liberal - direitos às individualidades, aos costumes e ao consumo - em detrimento da luta de classes, que nunca foi praticada de maneira escamoteada, pelo contrário, sempre precisou derrubar símbolos (como o Muro de Berlim), derramar sangue e castigar os derrotados.

Quando Zumbi dos Palmares foi assassinado, em 20 de novembro de 1695, como exemplo para os outros escravos, exibiram sua cabeça em plena praça pública, para que ninguém mais ousasse levantar-se contra os desmandos da Coroa. Assim também aconteceu quando a burguesia ascendeu ao poder na França, decapitando do imperador Luís XVI.

Esses exemplos servem apenas para ilustrar que luta de classes, embora também atue no seu modo soft através dos aparelhos ideológicos não é feita com subterfúgios; quando se tem força para executar os seus objetivos, a classe hegemônica não titubeia.

Aqui no Brasil, portanto, a luta de classes nos últimos tempos tem se dado da maneira mais explícita possível. Quem achava que o impeachment fraudulento da presidenta Dilma representava uma troca de governantes apenas, ou que era um golpe contra o PT, ou até mesmo para acabar com a corrupção, deve(ria) passar a perceber os verdadeiros objetivos do golpe.

Em um ano de governo ilegítimo - patrocinado pela mídia golpista e setores de corporações do estado - várias já foram as ações que desnudam o caráter de classe impresso nesse processo de ruptura democrática pelo que o Brasil passa. De um ano pra cá, uma quadrilha apeou o poder da República para tentar executar o que o "mercado" lhe delegou: entregar o Brasil de bandeja e novamente inseri-lo na cadeia capitalista de maneira subalterna, umbilicalmente ligado aos interesses do decadente império estadunidense. As medidas que acabam com direitos do trabalhador tais como a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e Terceirização são medidas de tamanha violência - real e simbólica - que nem a Ditadura Militar foi capaz de fazer e, obviamente, para dar durabilidade a essas medidas é preciso acabar, tal qual as estátuas de Lênin ou de Stálin, com os nossos símbolos e com a esperança do povo brasileiro de retomar o crescimento soberano e justo.

As mais recentes investidas contra Lula são provas de que na luta de classes não se brinca. E é preciso dizer: não se combate a luta de classes no nível de radicalização em que ela se encontra com cirandas e dinâmicas de grupo; se combate com politica, política como arte, política como guerra, como guerra de trincheiras, buscando espaço, tentando dividir o inimigo e sobretudo acumulando forças para o ataque que por mais que queiramos não tem nenhuma condição de ser dado agora.

O golpe, por mais que atrapalhe essas políticas, não é homofóbico ou racista por si só. O golpe é classista e nos passa uma mensagem: nunca mais ousem governar esse país. Por isso, é preciso acabar com qualquer chance de a esquerda voltar. Daí ser tão explícitas as medidas que fazem contra Lula e a venda do nosso patrimônio, marcas profundas de gado no lombo do nosso país, com o selo bem grande dos EUA.

Quisera eu que também pudéssemos ter impresso a nossa marca com maior profundidade. Infelizmente, o caminho de distribuição de renda apenas, ou da "questão social" sem tocar na estrutura do estado e no caminho da soberania nacional tendo e vistas o socialismo possibilitou que nossas mudanças fossem leves como o vento. Aos poucos, iremos nos desfazendo de todas elas. O Brasil já voltou ao mapa da fome e é cada vez mais crescente o número de trabalhadores informais e moradores de rua nas cidades de nosso país.

Por isso, em tempos difíceis como este em que vivemos - tempos de cenas explícitas de luta classes, que é vivida em tabuleiro internacional - é preciso atuar explicitamente também. Fazer luta de classes no parlamento, nas ruas e onde mais puder ser. Sem essa perspectiva bradaremos incansavelmente nossas consciências e nosso radicalismo sem adentrar no cerne da questão: como transpor o regime golpista?

Pra mim, só ultrapassaremos esse estágio da luta de classes com muita amplitude, trazendo para o lado de cá quem puder trazer. Ao longo desse caminho, ficaremos alguns, eliminaremos outros, mas só uma grande frente nacionalista, desenvolvimentista e consciente da árdua missão que nos cabe poderá superar a ignomínia a que submetem o nosso país dia a dia.

Vamos à luta!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Das injustiças do futebol brasileiro - Parte 1


As últimas rodadas do futebol brasileiro têm sido marcadas por grandes emoções, de um lado, e as mesmas e velhas reclamações, de outro.

Domingo pela manhã, resolvi acompanhar o jogo Palmeiras X Vitória, pela 14ª rodada do brasileirão. Afinal, estava jogando o todo poderoso e badalado Palmeiras, com seu recheado elenco e mais recente campeão brasileiro. Do outro lado, o nordestino Vitória, com uma folha salarial, com certeza muito abaixo da palmeirense, em vias de fugir da chamada zona da degola do campeonato brasileiro. E eis que o Vitória abre o placar - de maneira surpreendente - com o ex-tricolor Uillian Correia.

O fato é que após as inúmeras bolas jogadas na área devido ao pobre futebol do Palmeiras, um pênalti nada mais nada menos que escandaloso é marcado a favor do time paulista, e pronto, dali em diante o jogo se tornou outro e mais 3 gols foram marcados contra o time da Bahia.

Reclamações, declarações e aquela sensação que sempre fica: aos grandes do futebol brasileiro, toda a complacência e "ajudinhas extra", aos nordestinos principalmente uma luta indecorosa contra o rebaixamento e contra todo tipo de injustiças cometidas dentro de campo.

Os motivos são muitos. Dentre os principais, considero relevante fazer uma submersão ao sistema de desenvolvimento desigual e excludente de nosso país - ou vocês acham que isso não tem nada a ver? Diante disso, o futebol brasileiro e suas instituições são reprodutoras da perversa lógica de desenvolvimento nacional, que colocou o país de joelhos às elites paulistas, que ora foram cariocas. Mas o fato central é que o modelo de distribuição de renda e investimentos chega ao futebol de maneira direta, claro, perpetuada por instituições que não estão nem um pouco interessadas em promover mudanças (leia-se Globo e CBF).

A batalha pra que um clube nordestino dispute o campeonato "nacional" (com aspas, visto que não há clubes do norte do país e uma concentração absurda em sul e sudeste) é homérica. O orçamento oriundo do principal financiador, que é a TV, beira o ridículo, visto os valores que são recebidos por clubes como Corinthians e Flamengo. No entanto, alguns, mesmo com as dificuldades orçamentárias ousam disputar esses campeonatos e, além dos problemas extracampo, encontram dificuldades dentro das quatro linhas que, a mim, não parecem ocasionais. Os erros de arbitragem nos jogos dos grandes clubes do sul e sudeste do país contra os clubes do nordeste não são "erros", mas uma verdadeira predisposição de fazer dos maiores vencedores sempre, haja o que houver.

Por outro lado, somam-se a isso dois fatores essenciais: a TV e a falta de profissionalismo da atividade do árbitro. A mesma TV, que mostra os "erros" de arbitragem em 200 câmeras diferentes, é a mesma cujo interesse maior é vender o "espetáculo" da vitória dos mesmos clubes, sempre. Além disso, árbitros despreparados e sem atividade profissional submetem-se a essa lógica e são tragados pelo clima "faça-se campeão" da imprensa brasileira, que cobra e cobre esses clubes como se outros não existissem no futebol brasileiro.

Em meio a tudo isso, o grande parceiro da Rede Globo tem sua prisão solicitada. E a Rede Globo continua lucrando com o nosso futebol. Às nossas custas. E, então? Futebol é ou também não é política? 

sábado, 20 de maio de 2017

Implosão

Há dias em que o mundo explode lá fora

e a gente implode aqui dentro...

E procura, nos escombros de nós mesmos, brechar para respirar


Há dias em que os dias são tão claros lá fora
mas o cinza da poeira em nossos olhos é demasiado grande pra nos fazer enxergar

Há dias em que nossos olhos pedem pra ver
mas estamos, qual doença, ocupados demais com a escuridão

Há dias em que falta luz
... e a gente apaga aqui dentro

Já dias em que não podemos sair
... e fechamos as portas

Há dias em que casas são reformadas
...e erguemos muros aqui dentro

E um dia, então, tudo se fecha
                           tudo se apaga
                           tudo se ocupa
     
                           tudo se implode...