domingo, 26 de julho de 2026

Reconhecer

 Não sei se é a mim que reconheço quando vejo o sorriso dela, ou se é a ela, fazendo-me conhecer de novo a sensação que só o gosto da pele dela é capaz de me fazer sentir.

Não sei se reconheço o que tava escondido em mim ou que se escondeu nela. Se foram os sinais do seu corpo ou a minha entrega. Mas eu reconheço.

Não sei se são as notas daquela canção que dediquei a ela ou as linhas daquele poema. Se são seus olhos pedindo c afago ou a revolução que um dia proclamamos juntos. Mas eu reconheço.

Reconheço o toque. Reconheço os lábios. Reconheço a menina e a mulher. A fraqueza e a coragem.

Reconheço o que sou e o que fui. O que achei é o que perdi.

E assim, de tanto te conhecer e reconhecer de novo, vejo a luz que brilha ali, no futuro.

De tanto te conhecer e reconhecer, conheço um pouco da felicidade de quem experimenta novos sabores. Como um sonho de padaria. Deve ser assim o amor. Eu reconheço. 

terça-feira, 19 de maio de 2026

Entre o crescimento econômico e a percepção popular



Entra pesquisa e sai pesquisa; entra escândalo e sai escândalo e um consenso vai sendo cada vez mais formado entre nós: o de que, mesmo diante de tantas entregas do Governo Lula 3, a percepção do eleitorado sobre ele continua muito abaixo do esperado.

Para além da questão da polarização política, que transforma cidadãos e eleitores em torcida, várias são as tentativas de explicação para tal fenômeno. Dentre os principais diagnósticos, o mais amplamente divulgado é o que atribui à comunicação institucional do governo o ônus e o bônus das reações populares. Dessa forma, bastava comunicar bem as “entregas” que a população - mesmo aquela mais seduzida por ideias contrárias - seria convencida.

Essa explicação, embora com algum sentido, é insuficiente para justificar a insatisfação de parte do trabalhador brasileiro que ainda não consegue, mesmo com o aumento da renda, acessar determinado padrão de consumo, ou que para comprar o celular desejado, precisa se endividar no cartão de crédito, pagando altas taxas de juros.

Também não é suficiente para explicar que, ainda que com todo o esforço do Governo Federal, nossos serviços básicos ainda são muito ruins (saneamento, educação, saúde, segurança, transporte público etc.) e que, a partir deles, um abismo é criado entre aqueles que acessam serviços de qualidade a altos custos e os que são obrigados a “aceitar” o que o estado oferece.

Dito de outra forma, o PIB cresce, mas “o povo não come PIB” e, ainda parafraseando Maria da Conceição Tavares, não se locomove num PIB de quatro rodas, nem coloca seu filho pra estudar num PIB. O povo não quer só comida, ele quer trem bala, ruas e avenidas limpas, moradias dignas, educação pública de qualidade. Questões estruturais que não cabem nos R$ 158,6 bilhões de um Bolsa Família, por exemplo. Mas que precisaria de algo na casa dos trilhões, de verdadeiras reformas que o rentismo e nossa condição de nação periférica impedem.

Essa perspectiva não se constrói com os juros na casa dos 15% ao ano, visto que drena toda possibilidade de reindustrialização do país, onde moram os empregos de qualidade e as ferramentas de modernização nacional.

Nesse sentido, é urgente retomar o projeto de nação como norte de superação dos obstáculos impostos ao país nos últimos anos, sobretudo a hegemonia da oligarquia financeira e do imperialismo.

Essas mudanças, obviamente, não se fazem apenas com discursos. Elas exigem reformas do Estado brasileiro que permitam a execução do programa escolhido nas urnas, sobretudo quando forças progressistas chegam ao governo. Hoje, regras constitucionais regressivas - como independência do Banco Central, arcabouço fiscal, hipertrofia dos órgãos de controle - atuam como verdadeiros entraves ao desenvolvimento nacional.

Soma-se a isso, um efeito que as políticas neoliberais provocaram na superestrutura ideológica da sociedade brasileira, que são as ideias individualistas, acentuadoras de nossas contradições internas e que fazem crer que a política - e o Estado - é incapaz de realizar as transformações necessárias. Daí a ausência desse Estado como indutor de políticas chaves para a industrialização que possibilitaria ao país ter os trens de alta velocidade, a universalização do saneamento básico ou do Ensino Superior, por exemplo.

Enquanto isso, assistimos a uma reprimarização da nossa economia que nos impede de dar saltos adiante e que comunicação eficaz nenhuma no mundo daria conta de superar.

O desafio do Brasil não é apenas comunicar melhor suas conquistas, mas voltar a oferecer ao povo um horizonte concreto de transformação nacional. Um país onde trabalhar permita viver com dignidade, consumir sem endividamento permanente, acessar serviços públicos de qualidade e sonhar com um futuro melhor para os filhos. Sem enfrentar o poder do rentismo e os bloqueios estruturais impostos ao desenvolvimento nacional, nenhuma campanha de comunicação será capaz de preencher o vazio entre os indicadores econômicos e a experiência real da população.

sábado, 12 de julho de 2025

Educação e Projeto Nacional de Desenvolvimento



Primeiramente, gostaria de avisar aos leitores deste texto que este não é um texto, digamos assim, popular. Afinal de contas, pretendo, aqui, desmistificar e, ao mesmo tempo, colocar certas polêmicas no trato que tem sido dado pelos movimentos sociais da educação a certas questões.

Dito isso, é preciso realçar que, em que pese o histórico de exclusão e seu caráter de classe, o final do Século XX e início do XXI passou a ser tempo de mudanças profundas (na verdade, não tão profundas assim, digo por que a seguir) em seu processo de inclusão. Esse processo é fruto de lutas que tomaram, por força dessas mesmas lutas, formas juríricas em diversos documentos norteadores da política nacional de educação. São eles:

1. Constituição Federal;

2. LDB;

3. Plano Nacional de Educação;

4. Estatuto da Criança e do Adolescente;

5. Diretrizes Curriculares Nacionais;

6. Base Nacional Comum Curricular;

7. FUNDEB;

8. Política Nacional de Alfabetização;

9. Programa Nacional do Livro Didático

10. IDEB 

Não pretendo aqui, dissecar um por um dos documentos supracitados, mas ressaltar aspectos que se relacionam entre eles, sobretudo os três pri(ncipais)meiros - Constituição; LDB e PNE -, cotejando seus princípios e finalidades com um Projeto Nacional de Desenvolvimento, que deveria ter como uma de suas molas propulsoras uma educação a serviço desse objetivo.

Nesse sentido, não é demais destacar que o que chamo de três principais documentos revelam o porquê da educação brasileira, seus objetivos e princípios. Dentre eles, universalidade e gratuidade do ensino público (CF, LDB, PNE); gestão democrática, liberdade de ensino e valorização profissional; igualdade de condições para acesso e permanência; pluralismo de ideias; vinculação entre educação e trabalho; consideração (?) com a diversidade étnico-racial - incluído na LDB em 2013 -; respeito às pessoas surdas, surdo-cegas e com deficieência auditiva (incluído em 2021); além das metas estipuladas no PNE que versam, principalmente, sobre a universalização do Ensino Público brasileiro e da Lei nº 12. 612 que tornou Paulo Freire patrono da Educação Brasileira.

Todas essas declarações de princípios, cuja palavra “liberdade” se repete em vários artigos, são úteis, é verdade, mas um tanto quanto genéricas e frutos de um contexto liberal, cuja presença do estado não se faz para além daquilo que é “obrigação”. Dito isso, como diz Eni Orlandi, o silêncio fala, e há determinados silêncios nesses documentos sobre os quais gostaria de me ater.

A primeira ausência - ou silêncio - é a relação entre a divisão internacional do trabalho e o papel do Brasil nessa divisão. A que serve nossa educação, levando em consideração essa divisão internacional? Quais as vocações nacionais devem ser estimuladas e quais aspectos devem ser suprimidos? A segunda, correlata à primeira, diz respeito à falta, justamente, de um Projeto Nacional, agindo como se essa educação - reino da liberdade e da pluralidade - se desse em campo aberto para a circulação dessas ideias.

É preciso dizer que, mesmo nos melhores momentos da política nacional, todas as modificações nesses documentos foram superficiais, atendendo a aspectos individuais que pouco contribuíram para unir o país e o setor educacional em torno de um propósito nacional.

Esses objetivos e alterações partem de um falso pressuposto de que o estado é neutro, que ele paira sobre os súditos da nação, tentando administrar todos os lados possíveis - sendo assim, a educação refletiria essa aparente neutralidade, oferecendo a todos a sensação de que estão incluídos no processo.

Difrentemente dos chineses, ou coreanos, alemães, entre outros, nossa educação - e seus documentos norteadores - desprezam a óbvia verdade de que a disputa entre estados, a luta de classes em dimensões internacionais (e os episódios mais recentes só comprovam isso) levam a uma necessidade de preparar mais e melhor os filhos da nação para isso. Afinal de contas, quantos engenheiros civis o país pretende formar? Quantos professores? Quantos agrônomos? Quantos arquitetos? Para o quê? Quando? Onde?

Essas são respostas que, infelizmente, nossos documentos não dão. Até porque num país cuja principal agenda política é a administração de uma economia fiscal, agiotagem e venda de commodities basta; e montar um sistema educacional que se contraponha a isso enfrenta várias resistências , inclusive entre os nossos, por falta de convicção e/ou princípios nacionais. 

Dito isso, é preciso também afirmar que, em que pese as insuficiências expostas neste texto, como dito acima, os documentos já representam um avanço considerável para um país cuja educação pública era proibida para negros e negras, um país cujo abismo social se reflete absurdamente nas nossas estruturas educionais e são resultado de décadas e décadas de lutas por uma educação pública de qualidade. O que este texto desafia o leitor a pensar é no passo a mais, no salto de qualidde que a nossa educação pode dar para modernizar o estado brasileiro e colocá-lo em par de igualdade com as nações mais desenvolvidas do mundo e essa é uma agenda que o campo democrático e progressista pode se desafiar a pensar. 

Vamos pensar juntos?

sábado, 21 de junho de 2025

Marxismo vivo é aquele que nos ajuda a ver a realidade







 A teoria de Marx

 é todo-poderosa porque ela é verdadeira

 

Vladimir Ilitch Lênin

 

 

Durante grande parte da minha militância, ouvi e ouço, às vezes com ares de grande descoberta, questionamentos ou afirmações cheias de certeza sobre uma certa falta de atualidade e relevência do Marxismo nos tempos em que vivemos. 

As críticas partem de todos os lados: da direita, que, em verdade, apenas escamoteia seus verdadeiros interesses e tenta omitir aquilo que é mais óbvio da teoria marxista (luta de classes, base econômica das relações sociais, dominação ideológica das classes dominantes, etc.) e, por parte da esquerda, uma provocação acerca de uma suposta obsolescência, de que o Marxismo simplesmente não oferece mais respostas aos problemas de nosso tempo; o que, obviamente, apenas reflete um desconhecimento da teoria, uma capitulação às ideias liberais, àquilo que rende mais likes e uma falta de capacidade de aplicação crítica e criativa de um método que, sobretudo, pretende se debruçar sobre a realidade que existe, não aquela que desejamos. 

A questão, portanto, que mantém o marxismo renovado e relevante não é o tom profético de muitas afirmações feitas por Marx e Engels no século XIX, mas o olhar que ele direciona aos problemas de seu tempo, baseado numa filosofia cuja raiz não surge da mente desses dois intelectuais, mas de uma tradição filosófica da humanidade: o materialismo; aliado à dialética hegeliana (de base idealista) e à economia de nomes como David Ricardo e Adam Smith. Não por coincidência, a principal obra do Marxismo não é uma obra sobre um ideal de sociedade, mas sim a que disseca a sociedade capitalista e seus mecanismos de produção, reprodução e circulação de mercadorias e riquezas. 

Foi da mesma forma, mesmo antes do lançamento de O Capital, através da articulação das três “epistemes”, que obras como As Lutas de Classes na França; Guerra Civil na França e a Situação da Classe Operária na Inglaterra fizeram análises da realidade concreta, baseadas em algumas premissas que permanecem bastante atuais, a saber: 

1) Distinção entre aparência e essência dos fenômenos sociais;

2) Identificação das contradições centrais que motivam determinado conflito;

3) Identificação dos principais inimigos e potenciais aliados;

4) Identificação dos interesses das classes sociais e de suas frações;

5) Atuação baseada na práxis revolucionária (não basta decifrar o mundo, mas sim mudá-lo, Tese 11 de A Ideologia Alemã) para alterar a correlação de forças; 

No atual estágio das lutas de classes no mundo e especialmente no Brasil, portanto, aplicar essa metodologia, esse olhar para a realidade, nada mais é que fazer vivo o Materlismo Dialético. Ou seja, não é preciso transpor frases prontas de obras clássicas, mas adotar determinada postura para analisar e atuar na realidade, observando todo o contexto possível para a realização de nossas vontades, para que não passemos a mirar nossas armas para os alvos errados, no momento errado. 

No Brasil, por exemplo, parte da dita esquerda radical, prefere apontar suas armas para o Governo Federal, sem identificar os elementos citados acima, fazendo crer que apontar suas insuficiências e limites bastaria para alterar a correlação de forças. Da mesma forma, a esquerda mais moderada é tomada por uma verdadeira ilusão de classes e por uma espécie de má vontade em identificar a essência dos fenômenos, uma certa preguiça e falta de convicção de atacar os verdadeiros problemas estruturais da sociedade brasileira (política macroeconômica, ausência de projeto nacional, entre outros). 

Dito isso, parece mais nítida a percepção de que a teoria revolucionária não está fora de moda, até porque o esgotamento da sociedade capitalista e a emergência de modelos alternativos de desenvolvimento (vide China e Vietnã) fazem essa teoria se renovar e beber de experiências históricas da humanidade - confucionismo na China, por exemplo. 

Nesse contexto de confusão teórica, de visão um tanto quanto turva para os verdadeiros problemas, faz-se fundamental não perder de vista esses elementos basilares para fazer qualquer análise que se preze. É isso que torna o marxismo vivo e a verdadeira arma para transformar a realidade de maneira profunda, visto que continua a ser a única ciência que pretende acabar com a exploração do homem pelo homem, para garantir um futuro de paz e prosperidade. Para isso se realizar, não se perder no mar de distrações e enxergar a profundidade desse oceano que navegamos é tarefa daqueles que se dizem agentes transformadores. Sem apenas sonhar, mas produzindo e analisando as verdadeiras condições para realização do nosso sonho de verdadeira emancipação da classe trabalhadora. A luta continua e, enquanto, existir o marxismo permanecerá vivo e atual.

 

 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Cenas explícitas de luta de classes


Quando o Muro de Berlim caiu em 1989, uma das falas mais marcantes e que demonstravam bem o interesse do Império foi a do filósofo nipo-americano Francis Fukuyama, que, a partir daquele momento decretava o "fim da história".

Obviamente, ao decretar o fim da história, Fukuyama estava, ao lado dos vencedores, declarando a vitória e supremacia do Império perante os povos explorados e os trabalhadores de todo o mundo. Batia de frente com as concepções marxistas que apontavam a luta de classes como motor da história.

Além dele e da direita neoliberal de todo o mundo, partidos de esquerda também passaram a desacreditar num futuro justo para a humanidade e, a partir daí, concepções niilistas, individualistas, pós-modernas e multiculturalistas foram tomadas - mas todas partindo de um princípio: fomos derrotados no que de mais profundo poderia existir, que era uma transformação do modelo econômico-social de desenvolvimento do mundo.

Essas concepções nos tornaram cada vez mais reféns de disputas no seio da sociedade de cunho liberal - direitos às individualidades, aos costumes e ao consumo - em detrimento da luta de classes, que nunca foi praticada de maneira escamoteada, pelo contrário, sempre precisou derrubar símbolos (como o Muro de Berlim), derramar sangue e castigar os derrotados.

Quando Zumbi dos Palmares foi assassinado, em 20 de novembro de 1695, como exemplo para os outros escravos, exibiram sua cabeça em plena praça pública, para que ninguém mais ousasse levantar-se contra os desmandos da Coroa. Assim também aconteceu quando a burguesia ascendeu ao poder na França, decapitando do imperador Luís XVI.

Esses exemplos servem apenas para ilustrar que luta de classes, embora também atue no seu modo soft através dos aparelhos ideológicos não é feita com subterfúgios; quando se tem força para executar os seus objetivos, a classe hegemônica não titubeia.

Aqui no Brasil, portanto, a luta de classes nos últimos tempos tem se dado da maneira mais explícita possível. Quem achava que o impeachment fraudulento da presidenta Dilma representava uma troca de governantes apenas, ou que era um golpe contra o PT, ou até mesmo para acabar com a corrupção, deve(ria) passar a perceber os verdadeiros objetivos do golpe.

Em um ano de governo ilegítimo - patrocinado pela mídia golpista e setores de corporações do estado - várias já foram as ações que desnudam o caráter de classe impresso nesse processo de ruptura democrática pelo que o Brasil passa. De um ano pra cá, uma quadrilha apeou o poder da República para tentar executar o que o "mercado" lhe delegou: entregar o Brasil de bandeja e novamente inseri-lo na cadeia capitalista de maneira subalterna, umbilicalmente ligado aos interesses do decadente império estadunidense. As medidas que acabam com direitos do trabalhador tais como a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e Terceirização são medidas de tamanha violência - real e simbólica - que nem a Ditadura Militar foi capaz de fazer e, obviamente, para dar durabilidade a essas medidas é preciso acabar, tal qual as estátuas de Lênin ou de Stálin, com os nossos símbolos e com a esperança do povo brasileiro de retomar o crescimento soberano e justo.

As mais recentes investidas contra Lula são provas de que na luta de classes não se brinca. E é preciso dizer: não se combate a luta de classes no nível de radicalização em que ela se encontra com cirandas e dinâmicas de grupo; se combate com politica, política como arte, política como guerra, como guerra de trincheiras, buscando espaço, tentando dividir o inimigo e sobretudo acumulando forças para o ataque que por mais que queiramos não tem nenhuma condição de ser dado agora.

O golpe, por mais que atrapalhe essas políticas, não é homofóbico ou racista por si só. O golpe é classista e nos passa uma mensagem: nunca mais ousem governar esse país. Por isso, é preciso acabar com qualquer chance de a esquerda voltar. Daí ser tão explícitas as medidas que fazem contra Lula e a venda do nosso patrimônio, marcas profundas de gado no lombo do nosso país, com o selo bem grande dos EUA.

Quisera eu que também pudéssemos ter impresso a nossa marca com maior profundidade. Infelizmente, o caminho de distribuição de renda apenas, ou da "questão social" sem tocar na estrutura do estado e no caminho da soberania nacional tendo e vistas o socialismo possibilitou que nossas mudanças fossem leves como o vento. Aos poucos, iremos nos desfazendo de todas elas. O Brasil já voltou ao mapa da fome e é cada vez mais crescente o número de trabalhadores informais e moradores de rua nas cidades de nosso país.

Por isso, em tempos difíceis como este em que vivemos - tempos de cenas explícitas de luta classes, que é vivida em tabuleiro internacional - é preciso atuar explicitamente também. Fazer luta de classes no parlamento, nas ruas e onde mais puder ser. Sem essa perspectiva bradaremos incansavelmente nossas consciências e nosso radicalismo sem adentrar no cerne da questão: como transpor o regime golpista?

Pra mim, só ultrapassaremos esse estágio da luta de classes com muita amplitude, trazendo para o lado de cá quem puder trazer. Ao longo desse caminho, ficaremos alguns, eliminaremos outros, mas só uma grande frente nacionalista, desenvolvimentista e consciente da árdua missão que nos cabe poderá superar a ignomínia a que submetem o nosso país dia a dia.

Vamos à luta!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Das injustiças do futebol brasileiro - Parte 1


As últimas rodadas do futebol brasileiro têm sido marcadas por grandes emoções, de um lado, e as mesmas e velhas reclamações, de outro.

Domingo pela manhã, resolvi acompanhar o jogo Palmeiras X Vitória, pela 14ª rodada do brasileirão. Afinal, estava jogando o todo poderoso e badalado Palmeiras, com seu recheado elenco e mais recente campeão brasileiro. Do outro lado, o nordestino Vitória, com uma folha salarial, com certeza muito abaixo da palmeirense, em vias de fugir da chamada zona da degola do campeonato brasileiro. E eis que o Vitória abre o placar - de maneira surpreendente - com o ex-tricolor Uillian Correia.

O fato é que após as inúmeras bolas jogadas na área devido ao pobre futebol do Palmeiras, um pênalti nada mais nada menos que escandaloso é marcado a favor do time paulista, e pronto, dali em diante o jogo se tornou outro e mais 3 gols foram marcados contra o time da Bahia.

Reclamações, declarações e aquela sensação que sempre fica: aos grandes do futebol brasileiro, toda a complacência e "ajudinhas extra", aos nordestinos principalmente uma luta indecorosa contra o rebaixamento e contra todo tipo de injustiças cometidas dentro de campo.

Os motivos são muitos. Dentre os principais, considero relevante fazer uma submersão ao sistema de desenvolvimento desigual e excludente de nosso país - ou vocês acham que isso não tem nada a ver? Diante disso, o futebol brasileiro e suas instituições são reprodutoras da perversa lógica de desenvolvimento nacional, que colocou o país de joelhos às elites paulistas, que ora foram cariocas. Mas o fato central é que o modelo de distribuição de renda e investimentos chega ao futebol de maneira direta, claro, perpetuada por instituições que não estão nem um pouco interessadas em promover mudanças (leia-se Globo e CBF).

A batalha pra que um clube nordestino dispute o campeonato "nacional" (com aspas, visto que não há clubes do norte do país e uma concentração absurda em sul e sudeste) é homérica. O orçamento oriundo do principal financiador, que é a TV, beira o ridículo, visto os valores que são recebidos por clubes como Corinthians e Flamengo. No entanto, alguns, mesmo com as dificuldades orçamentárias ousam disputar esses campeonatos e, além dos problemas extracampo, encontram dificuldades dentro das quatro linhas que, a mim, não parecem ocasionais. Os erros de arbitragem nos jogos dos grandes clubes do sul e sudeste do país contra os clubes do nordeste não são "erros", mas uma verdadeira predisposição de fazer dos maiores vencedores sempre, haja o que houver.

Por outro lado, somam-se a isso dois fatores essenciais: a TV e a falta de profissionalismo da atividade do árbitro. A mesma TV, que mostra os "erros" de arbitragem em 200 câmeras diferentes, é a mesma cujo interesse maior é vender o "espetáculo" da vitória dos mesmos clubes, sempre. Além disso, árbitros despreparados e sem atividade profissional submetem-se a essa lógica e são tragados pelo clima "faça-se campeão" da imprensa brasileira, que cobra e cobre esses clubes como se outros não existissem no futebol brasileiro.

Em meio a tudo isso, o grande parceiro da Rede Globo tem sua prisão solicitada. E a Rede Globo continua lucrando com o nosso futebol. Às nossas custas. E, então? Futebol é ou também não é política? 

sábado, 20 de maio de 2017

Implosão

Há dias em que o mundo explode lá fora

e a gente implode aqui dentro...

E procura, nos escombros de nós mesmos, brechar para respirar


Há dias em que os dias são tão claros lá fora
mas o cinza da poeira em nossos olhos é demasiado grande pra nos fazer enxergar

Há dias em que nossos olhos pedem pra ver
mas estamos, qual doença, ocupados demais com a escuridão

Há dias em que falta luz
... e a gente apaga aqui dentro

Já dias em que não podemos sair
... e fechamos as portas

Há dias em que casas são reformadas
...e erguemos muros aqui dentro

E um dia, então, tudo se fecha
                           tudo se apaga
                           tudo se ocupa
     
                           tudo se implode...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A política como mediadora de conflitos


Nas análises mais recentes sobre os efeitos da crise mundial do capitalismo, uma das consequências mais debatidas e que tem sido provocadora de uma grande desesperança em torno das esquerdas no mundo é a questão da criminalização da política ou que chamamos de caminho fora da política.

O efeito devastador das crises, hoje e ontem, provoca o já conhecido abandono às saídas políticas. Foi assim no período da crise de 29, geradora em último grau da Segunda Guerra Mundial, e tem sido assim no momento atual, com a ascensão de figuras cuja principal "qualidade" é a de não ser político. Nos Estados Unidos da América,a eleição de Trump simbolizou bem o que isso significa e por aqui a eleição de João Dória como prefeito da maior cidade brasileira e a tentativa de despontar no cenário de nomes como Luciano Huck e Roberto Justus são provas maiores dessas questões.

O que não podemos esquecer é que em períodos de crise soluções "novas" são apresentadas. As aspas se justificam pois sabemos que nem tão novas são essas soluções. São roupas novas, falares diferentes mais uma mesma política, cujo vértice está na dominação de classe, na resistência do império ao seu declínio relativo e à possibilidade de um mundo multipolar, e na tentativa do capital de não reduzir sua taxa de lucro. Para isso, vale-se de qualquer expediente.

No Brasil, as soluções "novas" e a negação da política é motivada ainda mais pela operação Lava-Jato, que cada vez mais tem colocado o país ainda mais polarizado, entre o partido da Lava Jato (composto pelo consórcio golpista, mídia, setores do judiciário e do ministério público, além dos partidos de direita) e o partido da política. Essa tem sido, portanto, a contradição principal do Brasil atual.

Não há segredo. O destino de uma operação como a Lava-Jato -com as características que ela já demonstrou ter e com os crimes de lesa-pátria que já cometeu ao destruir as empresas de engenharia pesada e ao destruir mais de 600 mil vagas de emprego só neste setor - é levar ao poder soluções fascistas, tal qual o juiz que conduz a operação.

No entanto, sobre o termo política paira sempre uma confusão. Nesse sentido, é óbvia a compreensão de que tudo o que a classe dominante faz para a sobrevivência dela enquanto classe dominante é política - política no sentido de como realizar medidas ideológicas, políticas e econômicas a favor de uma classe. Mas quando nos referimos à negação da política tratamos dela como mediadora de conflitos.

É essa política como mediadora de conflitos que garante ao mundo, mesmo sob hegemonia burguesa, uma certa governabilidade; é essa política como mediadora de conflitos que possibilitou a existência de um estado - tanto como gestor dos interesses de uma classe, como quando uma burocracia estatal a comanda (bonapartismo) - mas é, sobretudo, essa política como mediadora de conflitos que garante as regras do jogo e não permite que o mundo viva em eterna convulsão social.

Se estivéssemos num período de ofensiva estratégica o que menos quereríamos era "mediar conflitos", mas, pasmem, - e como a dialética nos ajuda! - a tranquilidade de um mundo onde saibamos quais regras jogar, com estabilidade democrática e direito de existir e fazer política ainda é o melhor caminho.

Por isso, sem falsos moralismos, a nossa luta deve se concentrar em salvar o exercício dessa política mediadora de conflitos para que possamos sobreviver e continuar fazendo a luta por um Brasil forte e soberano. Avançam medidas retrógradas contra o povo e contra as esquerdas. A proposta de Reforma Política é um libelo de como o consórcio golpista quer ver a atividade democrática do país: nula. Combater o partido da Lava-Jato e conquistar corações e mentes para a Política é tarefa essencial. Cumpramos! 

domingo, 7 de maio de 2017

Culpado

Quisera eu processar o tempo
para que ele me devolvesse os dias

Quisera eu pudesse aprisioná-lo
puni-lo pela minha insensatez
e meu coração duro

Algemado então,
quisera eu poder declarar meu amor novamente

Quisera eu processar  tempo
fazê-lo me devolver as constelações que por ora avistei
ou as flores que vi se partir

Quisera eu que eu o tempo pagasse
pelo tempo que o quis depressa
e que nunca me fez essa angústia sumir

O tempo que me pague o tempo que gasto
todos os dias
para explicar o que fiz e o que sou

Quisera eu que processado então
pudesse culpar o tempo por tudo o que não fiz


porque não tive tempo
por que não tive paz

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Belchior, presente!

Ontem, pela manhã, fomos todos surpreendidos com a notícia da morte de Belchior, artista cearense que cantou a liberdade, mas, sobretudo, cantou as coisas reais. 

Diante de mortes como a dele, é muito comum que as redes sociais se encham de mensagens, lembranças e honrarias a artistas cuja obra encantaram e encantam pessoas num país inteiro. É também muito comum a gente se perguntar se existem tantas pessoas assim gostando de determinados artistas. Paira uma dúvida. Não sobre Belchior.

Belchior era querido por todos, principalmente por aqueles que encontravam, na democracia e na liberdade objetivos para viver sem perder a ternura. E Belchior era pura ternura, mesmo que seu canto torto feito, feito faca, cortasse a carne da gente.

E cortava.

Cortava porque Belchior, como afirma uma de suas canções, tinha alucinações por coisas reais, mesmo quando alguns diziam que tudo era divino, tudo era tão maravilhoso. Não. Não era divino e maravilhoso na época em que Belchior compôs seus principais álbuns, como "Alucinação" e "Coração Selvagem". Eram tempos difíceis, como os de agora, em que continuamos precisando da arte que fale sobre as coisas reais, que interaja e se entregue aos homens e mulheres de seu tempo.

Belchior, talvez não conscientemente, levou a sério a estética neo-realista, cujo propósito da arte estava bem definido, sem ser chato, hermético, dogmático. Na vida - e na arte - levou a sério o objetivo de integração latino-americana, tal qual um jovem argentino cuja arte era diferente, Belchior andou por toda essa América, procurando nossas semelhanças e se encantando com os tangos argentinos ou os romances chilenos.

Por isso, em tempos de golpe, nossa resistência é uma forma de homenageá-lo. Lutar contra a recolonização da América Latina pela qual Belchior tanto fez. 

Diante das insuficiências de minhas palavras, só o próprio Belchior para definir o momento de sua partida, do momento em que "eles venceram e o sinal está fechado para nós". 

Belchior, tenha certeza de que sua vida na terra não foi em vão. Haveremos de vencer!


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pelo direito à boa música: George Harrison

Que os Beatles são a melhor banda de rock de todos os tempos não parece haver dúvida entre nós mortais. A dúvida que a genialidade do quarteto de Liverpool suscitou, na verdade, é sobre qual dos quatro era o mais genial. 

Comumente, fomos acostumados a atribuir à dupla Lennon-McCartney o sucesso das maiores canções dos Bealtes: Hey Jude; Help; Elanor Rigby, Lucy in the Sky With the Diamond, pra ficar só em alguns exemplos. O que não anula o papel e a importância que cumpriram Ringo e George. Este último, com ares de maior genialidade que aquele. 

Com o fim dos Beatles, George Harrison iniciou um carreira exitosa, marcada pela gravação de 9 álbuns de estúdio e quatro ao vivo, além de inúmeras coletâneas em que, para os que viam as canções dos Beatles sem distinguir quem as compunha, pôde-se entrar em contato com o sinais de genialidade que Harrison imprimia às canções e à guitarra, tal qual à magistral "While My Guitar Gently Weeps".

Como destaque dessa carreira, destaco o álbum ao vivo no Japão. Um aula de guitarra, canção e melodia. E por aqui, vai uma amostra, não do álbum, mas da música que todos nós merecemos ouvir. Saca só:


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Por uma Frente Ampla em Pernambuco


Uma das características incontestes do último ciclo virtuoso da economia brasileira, golpeado em abril de 2016, foi o combate às desigualdades regionais, promovido por uma política do Estado Brasileiro de descentralização dos investimentos públicos, levando obras estruturais para diversos lugares antes esquecidos do país. Pernambuco foi um dos grandes alvos desses investimentos.

Para se ter ideia dessa mudança de paradigma, o PIB do estado de Pernambuco cresceu em torno de 50% no acumulado entre 2004 e 2012, enquanto o brasileiro acumulou, no mesmo período, um crescimento de 27%. Nos anos de 2013 e 2014, mesmo com a desaceleração da economia nacional, ainda houve um crescimento do PIB de 3,2% e 2%, respectivamente.

*retirado de http://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2015/06/04/pib-de-pernambuco-cresce-2-em-2014-menor-resultado-dos-ultimos-10-anos/

Essa característica foi reforçada, obviamente, por um papel do Estado brasileiro como indutor do desenvolvimento econômico em âmbito nacional, mas também, a partir de 2006, com a eleição de Eduardo Campos como governador, por uma visão desenvolvimentista aplicada no estado. Foi, no período entre 2007-2010 que Pernambuco alcançou as mais altas taxas de crescimento. Nesse período, investimentos como a Refinaria Abreu e Lima, fábrica da Fiat, estaleiro Atlântico Sul, Hemobrás e transposição do São Francisco, passaram a se tornar realidade. Isso, sem contar com a também descentralização praticada por aqui. A participação no PIB do estado de municípios como Jaboatão e Cabo, beneficiados pela indústria, cresceu no período, enquanto a do Recife diminuiu [1]. 

Não por coincidência, o estado de Pernambuco, a partir do agravamento da crise cujo vértice maior está relacionado à desnacionalização da economia, desidratação da indústria, sobretudo de engenharia pesada e setor de óleo e gás - setores fundamentais para o crescimento recente do estado -, o estado passa a sentir os efeitos e acumula retração de sua economia de 3,5% [2] em 2015 e 3,6% [3] em 2016. De acordo com a Ceplan, ainda é esperada uma retração de 2,5% [4] da economia do estado em 2017, fruto da paralisação de obras importantes do estado devido à antinacional Lava-Jato e ao ajuste fiscal draconiano que a banca impõe ao país e que o governo golpista impõe aos estados e municípios. Felizmente, como a situação fiscal do estado é razoavelmente controlada, não entramos numa crise semelhante a de estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

No plano político, o golpe é uma reedição das empreitadas oligárquicas da elite paulistana. Para as lideranças regionais, resta o papel de "solicitantes" de benevolência do Governo Federal para que se liberem recursos aprovados anteriormente ou até mesmo emenda parlamentares, que passam a ser quase que as principais fontes extras de recursos para o estado. Faz parte do jogo golpista manter os estados "de pires na mão" para que tudo se resolva no varejo da micropolítica que se tornou o Parlamento brasileiro.

Ponto agravante dessa situação é a forma como a direita do estado se organizou no Brasil pós-golpe. Quatro ministros pernambucanos, eleitos deputados graças ao projeto desenvolvimentista liderado pelo PSB no estado agora voltam as atenções para a disputa do Governo do Estado de Pernambuco, querendo reeditar a famigerada União Por Pernambuco e ressuscitar lideranças políticas que tanto mal fizeram ao estado de Pernambuco.

Por isso, diante de uma quadro geral adverso, dois movimentos hão de ser feitos: 1) aos movimentos e às esquerdas do estado em geral, é fundamental identificar o alvo central, que é a direita entreguista alojada no governo central do país e com as armas viradas ao comando do estado; 2) juntar forças em torno de uma frente ampla, que reúna as forças produtivas do estado - setor agroaçucareiro; construção civil etc -; os progressistas, desenvolvimentistas, patriotas e democratas em torno de uma agenda que neutralize a direita entreguista do estado e retome uma agenda de crescimento para o estado que, assim, possa superar a crise.

Não há como isolar a situação local da questão nacional presente. Por isso, clareza nos objetivos e daqueles que são nossos aliados e inimigos é central. Formar uma frente ampla para combater o Governo Temer e encontrar saídas para o Brasil deve encontrar sua materialidade nos estados, arena central das lutas de classes no país. É um bom exercício de tática que deve-se realizar.  Pernambuco e o Brasil merecem.



NOTAS:

[1]: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2015/12/19/a-riqueza-produzida-em-pernambuco-esta-concentrada-em-17-municipios-213347.php
[2]: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2016/03/em-2015-pib-de-pernambuco-teve-maior-queda-dos-ultimos-28-anos.html
[3]: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2017/02/16/internas_economia,689572/monitor-do-pib-da-fgv-aponta-queda-de-3-6-em-2016.shtml
[4]: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2016/12/15/pib-de-pernambuco-devera-cair-25_porcento-em-2017-superando-o-brasil-263612.php

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ainda nos resta a Seleção


Em meio a golpe de estado, crise econômica sem perspectiva de se encerrar, crise política aguda e entrega do patrimônio nacional e perda de direitos, uma coisa, pelo menos, tem alegrados os brasileiros nesses dias sombrios: a Seleção Brasileira de Futebol.

A seleção comandada por Tite tem dado uma aula de futebol. Alia-se, na seleção, o movimento tático atual, de compactação das linhas, participação marcante dos atacantes de lado de campo na marcação e dos "volantes" na situações ofensivas, com o toque de classe e habilidade que só o jogador brasileiro tem. Além disso, um quê de entrega maior e de um grupo que parece ter comprado a ideia do professor. Enfim, tem sido bonito ver os jogos da seleção, há 7 jogos ganhando de todo mundo que aparece.

Essas coisas me fazem lembrar de um episódio recente, em que, numa loja de materiais esportivos, me neguei a comprar a camisa da seleção brasileira por me lembrar da palhaçada que os coxinhas fizeram nos movimentos pró-golpe, usando a camisa da seleção como símbolo do "nacionalismo" e da "recuperação do Brasil" que eles queriam: um Brasil para poucos, que comia filé mignon na Paulista e tomava Chandon. Todos eles vestiam o amarelo da seleção brasileira, estampada com frases misóginas e escudo da CBF.

No entanto, a Seleção Brasileira, cujo primeiro jogo aconteceu em 1914 contra o Exeter City da Inglaterra e em que pese a influência nefasta da CBF para o futebol brasileiro - incluindo-se aí casos e mais casos de corrupção e ligação umbilical com a Ditadura Militar e o sistema Globo de Televisão - não é e nunca será símbolo da intolerância, falta de democracia e entreguismo. Foi na seleção brasileira que o Brasil pôde ver a ascensão de um negro ao topo mais alto de sua profissão e virar majestade; foi na seleção brasileira que figurar como João Saldanha fizeram sua carreira e defenderam a democracia e é, na Seleção Brasileira, que temos um pingo de orgulho nacional a cada vez que a vemos jogar.

O jogo de ontem, mais uma vez, reafirmou meu orgulho de ser brasileiro. E isso não tem nada a ver com alienação, com pão e circo. Tem tudo a ver com sentimento nacional, vontade de ver, qual no futebol, o Brasil despontando mais uma vez e sendo motivo de orgulho para os milhões de brasileiros e brasileiras que gostam do Brasil. O Brasil que apoia o golpe detesta o Brasil, morre de vontade de morar em Miami e acha que aqui nada presta, igual ao ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que antes de se enrolar com a Interpol, morava nos "States". 

Por isso, ao sentir esse fio de alegria e esperança, reafirmo: a CBF - e os coxinhas -  não pode ser dona das nossas emoções com a amarelinha. A Seleção Brasileira de futebol é patrimônio do povo brasileiro, assim como a Petrobras. E ela ainda nos resta. Viva o futebol brasileiro. Viva o Brasil.


quinta-feira, 9 de março de 2017

O Maracanã e a Lava-Jato




Ontem a estreia do Flamengo pela Copa Libertadores da América me deu um alívio. Não pelo resultado do esquadrão comandado por Diego em ótima fase, mas por, pelo menos, poder ver o Maracanã voltar ao protagonismo do futebol brasileiro.

O que aconteceu com o Maracanã no final do ano passado e início desse ano é o verdadeiro retrato do que o golpe - executado habilmente pela cortina de fumaça da operação Lava-Jato fizeram e continuarão fazendo ao país.

O Maracanã não é só um "estádio de futebol", mas símbolo da nacionalidade brasileira, patrimônio cultural - para os que amam ou detestam futebol -, templo sagrado do esporte mundial e, por isso, não por coincidência, uma das primeiras vítimas do golpe antinacional a que o Brasil tem sido submetido, assim como o programa nuclear brasileiro, que mantém preso por 43 anos o Almirante Othon; assim como a Petrobras e o Pré-Sal brasileiro, ,que, dia a dia vêm sendo desidratados em tempo recorde pelos serviçais do império estadunidense.

O episódio do Maracanã é emblemático, visto que mostra o verdadeiro objetivo da operação Lava-Jato e do golpe: acabar com o patrimônio brasileiro, sucateá-lo em determinados casos para repassá-lo ao capital estrangeiro. Felizmente não conseguiram com o Maracanã, mas certamente não é esse o destino da maioria do nosso patrimônio, que, assim como a previdência, segue sendo entregue de mão beijada.

Engraçado nesse episódio do Maracanã é lembrar do que parte irresponsável da esquerda brasileira fez às vésperas das Copa da Confederação e Copa do Mundo - datas mais que comemoráveis para a nacionalidade brasileira, que se apresentou ao mundo e pôde realizar grandes eventos, sem dever nada a países desenvolvidos. Talvez seja exatamente isso o que eles queriam: nosso futebol, estádios e país entregue àqueles que muitos julgaram estarem certos na Ucrânia, por exemplo.

Os efeitos da Lava-Jato são devastadores para o país. De acordo com o insuspeito G1, em 2016, os números negativos que a Lava-Jato causavam à economia em 2015 girava em torno de R$ 140 bilhões, muito além dos R$ 50 milhões para salvar o Maracanã das garras do descaso e do abandono. Infelizmente, para salvar a economia nacional não são 50 milhões ou 140 bilhões, mas só um verdadeiro pacto nacional, desenvolvimentista, democrático e amplo para tirar o país das garras dos usurpadores que alijaram uma presidenta legitimamente eleita e operam a passos cavalares a entrega do nosso patrimônio - seja o Maracanã, seja Alcântara, o Pré-Sal ou nossa aposentadoria. É preciso lutar!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Por que frente ampla?


Quando ligamos a televisão, celulares e computadores para nos atualizarmos, é quase unânime a reação de descrença, a incredulidade com tudo o que está acontecendo no Brasil, sobretudo no que se refere ao escárnio com que os usurpadores do poder político do país encaram as decisões que tomam. E por mais que precisemos denunciar, a denúncia por si só já não basta. Por isso, de um lado temos os que apontam as saídas idealistas, baseadas pura e unicamente na vontade e numa mesma reprodução da crítica pela ética burguesa; do outro, os que devem apontar saídas buscando analisar a realidade concreta, que nos enseja uma saída com ousadia tática e convicção política.

As grandes vitórias que a humanidade obteve ao longo da história, desde a Revolução Francesa pelo menos, não se conquistariam se não ampliassem para além da classe social que buscava derrubar a classe dominante - era preciso, além de ampliar entre as classes que não eram dominantes, buscar fissuras nas classes dominantes. Como afirma Marx (1845: 49), em A Ideologia Alemã, "cada nova classe instaura sua dominação somente sobre uma base mais ampla do que a da classe que dominava até então (...)".

Ter consciência dessa necessidade é pré-requisito para atuar no campo adversário, como no momento em que estamos vivendo. É, sobretudo, viver conscientemente o exercício da tática e da estratégia, categorias políticas tão caras às esquerdas e sobre a qual é sempre válido recorrer. Saber que o objetivo estratégico, que é a construção de uma sociedade sem classes, não se dará de maneira retilínea, mas será alcançada mediante avanços e recuos no decorrer da luta de classes.

Assim foram, para ficar em apenas alguns exemplos, momentos importantes mais recentes de nossa história: desde a postura adotada por Lênin na Revolução Russa e sua preliminar de 1905, passando por episódios fundamentais no Brasil, como a construção da ANL - "frente única antifascita e anti-imperialista que congregava comunistas, socialistas e democratas avançados", cuja presidência "coube ao comandante da Marinha, Hercolino Cascardo, a Vice-Presidência ao capitão do exército Amoreti Osório e ao civil Francisco Mangabeira"(BUONICORE, 2012: 40/41), único ligado aos comunistas.

Podemos ainda citar, por mais óbvio que seja, a atuação dos comunistas no enfrentamento à já cambaleante Ditadura Militar nos finais da década de 70 e início da década de 80, momentos em que o PCdoB não titubeou em - taticamente - apoiar, inclusive, um militar no colégio eleitoral: Euler Bentes Monteiro, e que, anos depois, culminou com a derrota dos militares no próprio colégio eleitoral.

Poderíamos, assim, enumerar diversos exemplos de como e quando a tática de ampliar a base sobre a qual atuamos e a necessidade de atuar em frentes amplas foi a melhor saída tática para a luta dos trabalhadores. Exemplo maior disso, na prática, embora não tenha sido com essa nomenclatura, foi o movimento pela abolição da escravatura, que contou, entre os abolicionistas, com a presença de figuras oriundas da aristocracia rural e descendentes de escravocratas. Não é de se imaginar que recusassem o papel fundamental que cumpriu Joaquim Nabuco, por exemplo.  No entanto, para além de enumerar os exemplos, fundamental mesmo é entender os motivos pelos quais chegamos ao entendimento de que a atuação em frentes, as mais amplas possíveis, deve ser a tática a ser utilizada.

Primeiro, as classes sociais não são categorias estanques, monolíticas. Tanto nas classes dominantes quanto no proletariado existem fissuras e frações de classes sobre a qual devemos agir com táticas diferenciadas em cada momento. O Brasil, por exemplo, no período de sua República, assistiu a lutas cujas frações da burguesia - industrial e agrária - eram quem lutavam pelo poder, o que Gramsci define como "Bloco no Poder". O pacto social que levou Lula à presidência da República em 2002, com certeza, levou isso em consideração - por isso ganhamos e conseguimos governar por 13 anos, e é, por conta de uma nova fissura entre as classes dominantes - e também entre as esquerdas - que foi possível o golpe de 2016 ser consolidado, afina de contas, a frente ampla, na verdade, agora é contra nós; está do lado de lá.

Segundo: existem diferenças fundamentais entre aquilo que queremos e aquilo que realmente somos capazes de fazer. No materialismo dialético, definido como necessidade, possibilidade e realidade. O filósofo húngaro, György Lukács (1965: 135) já afirmara: "A conversão da possibilidade em realidade não é jamais um efeito automático das condições sociais, mas um efeito - baseado na modificação dessas condições - da atividade consciente dos homens". Sobre a realidade dizia Lênin: "a realidade é sempre muito mais astuciosa do que as melhores ideias, mesmo as do melhor partido". Portanto, pescar as ideias que pairam nas cabeças idealistas e colocá-las sobre os chão da realidade é extremamente necessário.

Terceiro: precisamos ser porta-vozes - ou ao menos contribuir para -  de ideias avançadas que, não necessariamente sejam as nossas. É preciso ter em mente que, sabedores de que "as ideias dominantes são as ideias da classe materialmente dominante", muito dificilmente um programa alicerçado somente em princípios  alcançaria adesão plena em momentos de crise como o que vivemos, em que as ideias conservadoras dominam os pensamentos, inclusive da classe trabalhadora.

Por isso, a luta pela democracia ainda é a grande bandeira sobre a qual podemos unificar amplos setores da sociedade: artistas, intelectuais, empresários progressistas, juristas etc. para não cair naquilo que afirmou Engels, em 1848: "predicar o comunismo em algum jornalzinho local e fundar, em vez de um grande partido de ação, uma pequena seita"(apud BUONICORE, 2009: 26).

Nesse sentido, como afirma Augusto Buonicore, em Marxismo, História e Revolução Brasileira, "a democracia burguesa é o campo mais favorável para a elevação do nível de consciência e de organização da classe operária e demais classes subalternas. Por isso, nos marcos do capitalismo, os partidos comunistas são vanguardas da luta pela democracia e contra a fascistização do Estado Burguês"(BUONICORE, 2009: 66). E esse é o nosso papel hoje, mais uma vez.

É preciso, diante desses impasses, ter clareza de que, sozinhos, não lograremos êxito em nossa missão revolucionária de emancipar a classe trabalhadora e transformar o Brasil num país mais justo e soberano. Nas palavras de Darcy Ribeiro (2014:226), "como não há nenhuma garantia confiável de que a história venha a favorecer, amanhã, espontaneamente, os oprimidos; e há, ao contrário, legítimo temor de que, também no futuro, essas minorias dirigentes conformem e deformem o Brasil segundo seus interesses; torna-se tanto mais imperativa a tarefa de alcançar o máximo de lucidez para intervir eficazmente na história a fim de reverter sua tendência secular. Esse é nosso propósito".

Atual como nunca.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Música boa: dEUS

Começando a semana com a primeira postagem sobre música de 2017. Foram listas e mais listas de melhores discos do ano devoradas por mim nos últimos meses, mas a indicação de música boa ainda não vai ser de uma mega novidade - não dessa vez - e sim de uma banda já com uma longa estrada percorrida, iniciada em 1991, na região da Antuérpia, na Bélgica.

Pra quem gosta do famigerado Indie Rock, definição um pouco ampla demais, provavelmente irá gostar do som desses caras. A banda dEUS - grafada assim mesmo - faz um som leve, cantante e de fácil aceitação. Música boa para ouvir no ônibus ou em casa, faz a cabeça.

O álbum sugerido é um de 1996, In a Bar, Under the sea, com destaque para a canção Gimme the heat. Confiram:


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Com a coragem que só a convicção nos dá


Eis que entre os dias 30 de janeiro e 01 de fevereiro me deparo com uma enxurrada de comentários no Facebook acerca das decisões dos partidos de esquerda em relação à eleição das presidências das casas do legislativo brasileiro. 

Vejo comentários até de pessoas bem intencionadas, amigos, conhecidos que a vida trouxe e que são, verdadeiramente, interessados em resistir ao golpe que o Brasil sofreu. Pessoas que acreditam que um novo modelo de sociedade precisa ser gestado. Não sei se o socialismo é o que acreditam, ou se um capitalismo mais humanizado, uma social-democracia basta.

O fato é que são pessoas que conheci nos tempos de universidade, ou de militância do movimento estudantil. Alguns, os que não se envolvem diretamente com a luta político-partidária, influenciados diretamente pela corrente de opinião petista na sociedade - é, o PT é uma corrente de opinião, assim como os comunistas - outros, petistas propriamente ditos, comemoram a decisão de seu partido de na eleição da câmara adotar a tática da demarcação de posição. Tudo bem, é a luta.

O que, nesse episódio, não dá mesmo para aceitar é o questionamento de setores de esquerda às posições do PCdoB neste caso.

O PCdoB, como é de conhecimento de todos, esteve na linha de frente da defesa dos governos populares hegemonizados pelo PT. Esteve porque tinha convicção de que, estava diante de nós, com todas as contradições possíveis, o governo mais avançado que o povo brasileiro poderia ter naquela quadra da história, e de que era preciso fazer avançá-lo, levá-lo mais à esquerda, a superar a encruzilhada histórica por que passava o país e fazê-lo avançar  para um novo ciclo civilizacional.

Nesse ínterim, os comunistas sempre tentaram - mesmo com pouca força - influenciar a força dirigente do país a ter convicção de que era preciso realizar reformas - no marco do capitalismo - que pudessem dar um tom maior de civilidade e progresso ao país. Reformas como a reforma dos meios de comunicação e reforma política sempre estiveram na pauta dos comunistas, desde os períodos de ascensão das forças populares, em que era possível avançar um pouco mais sobre as consciências tendo em vista um projeto emancipador da classe trabalhadora, sobre o qual a força dirigente, infelizmente, não tinha convicção.

A partir de 2015, quando variados setores da esquerda brasileira negavam a possibilidade de golpe parlamentar no nosso país, lá estávamos denunciando o que mais tarde se confirmaria. Tudo isso fizemos sem esperar os louros dos vitoriosos, mas fizemos com a calma e resiliência dos que têm convicção naquilo que acreditam. 

O caminho do PCdoB é longo e pretende ser duradouro; acreditamos num futuro melhor para a humanidade e para o Brasil: um futuro socialista. Dessa forma, para atingir tal objetivo, sobre o qual temos convicção, entendemos a necessidade básica de não nos isolarmos e de fazermos - nessa quadra tão adversa - do parlamento, um ambiente um pouco menos hostil para resistir.

Como afirma a nota da comissão política, "o golpe expurgou a esquerda do governo federal, do Poder Executivo, mas não pode expulsá-la do Poder Legislativo". Não pode, porque lá estarão os comunistas: fazendo parte da paisagem, mas, sobretudo, influenciando a paisagem e sendo foco de resistência das forças progressistas do país. O PCdoB não se isolará no jogo político-institucional, pois tem convicção de que os interesses dos verdadeiros arquitetos do golpe é ver a legenda dos comunistas ser dizimada e fora desse jogo. Não nos curvaremos à vontade da classe dominante, seremos a resistência.

Nesse momento de confusão a que o golpe submeteu o país, mais do que palavras que marquem suas posições, precisamos enfrentar as medidas práticas que tentam entregar o país através de decretos MP's e PEC's; precisamos estar preparados em todos os terrenos, e precisamos ter convicção de que, nesse período de defensiva tática e estratégica, resistir é estar em todos os fronts, com a coragem que só a convicção nos dá, pois como diria Dimitrov:

"Para ser um revolucionário, não basta possuir temperamento de revolucionário: é mister saber também manejar a arma da teoria revolucionária. Não basta conhecer a teoria; é preciso forjar para si mesmo um caráter sólido, com uma inflexibilidade de bolchevique. Não basta saber o que fazer: é preciso ter a coragem de levá-lo a cabo. Preciso estar sempre pronto para fazer, a qualquer preço, tudo o que possa realmente servir à classe operária."

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Ela

Hoje não a beijei na despedida. Não deu pra sentir o gosto do café misturado ao sorriso que só seus lábios são capazes de produzir. Olhei pela janela, e lá estava o sangue das minhas veias correndo um pouco mais longe de mim.

Hoje ainda não disse que a amo. Apenas amei. Com os olhos que a veem acordar, contando seus sinais e alisando sua pele, a morenice dos olhos dela e o nosso apertado espaço da cama.

Ontem não quis dormir abraçado. O suor era grande depois da orquestra de nossos corpos, da dança de nossas pernas e de nossas bocas. E mesmo assim tomei suas pernas e braços para mim.

Amanhã - quem sabe - dormiremos até tarde, sussurrando segredos e imaginando poemas eróticos que nem os mais perversos poetas seriam capazes de produzir.

Amanhã - quem sabe - ficaremos loucos em demasia; talvez a gente durma, talvez a gente dance.

Amanhã - quem sabe - mudaremos de casa, mudaremos de carro, de estado ou de país e, mesmo assim, continuaremos assim, tendo um ao outro.

Amanhã - quem sabe - ela me fale um poema e eu diga que não a quero mais - só pra provocar.

Amanhã - eu sei - estaremos de braços dados revendo as loucuras que fomos e que ainda seremos. Doidos para viver assim, nesse louco e gostoso jeito de viver, acordar e dormir - sempre.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Gaby Amarantos, Emicida, Teatro Oficina, veja a programação da Bienal

Por Renata Bars, em www.une.org.br




Mais de 100 atrações entre artistas da música, do teatro, literatura, artes visuais, debatedores, projetos universitários diversos fazem parte do festival na capital do Ceará
A cidade de Fortaleza se prepara para receber o maior festival estudantil da América Latina a partir do próximo dia 29, domingo. Grandes shows, mostras de teatro, debates, exposições e encontros artísticos variados fazem parte da programação da Bienal da UNE. Cinco mil estudantes de todo o país se integram à população local durante quatro dias de atividades no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Com o tema “Feira da Reinvenção”, a Bienal apresenta mais de 100 atrações em uma maratona de atividades. Entre os destaques estão o rapper Emicida, a cantora paraense Gaby Amarantos, o Teatro Oficina, de SP, comandado pelo dramaturgo Zé Celso Martinez, e a banda cearense Selvagens a Procura de Lei. A Bienal também conta com oficinas, debates envolvendo nomes da política, cultura, comunicação, intelectuais e ativistas de diversas áreas. O evento será encerrado com uma grande culturata, passeata cultural da UNE, nas ruas de Fortaleza.
Confira abaixo a programação completa:
10ª Bienal da UNE:


29 DE JANEIRO (DOMINGO)

9h às 10h – Cortejo de abertura
Homenagem: Patativa do Assaré
Convidados: Grupo Teruá, Brincantes de São Francisco
Concentração: Praça Almirante Saldanha

10h às 13h – Encontro I
Tema: A reinvenção do Pessoal do Ceará
Convidados: Rodger Rogério (Cantor e compositor), Dalwton Moura (jornalista e produtor musical), Inácio Arruda (Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará), Nirton Venâncio (Cineasta)
Local: Teatro Dragão do Mar

13h às 14h – Atividade cultural
Convidados: Forró com Os Muringa
Local: Palco Praça Verde Historiador Raimundo Girão
Convidados: Associação Zumbi de Capoeira
Local: Arena Praça Verde Historiador Raimundo Girão

14h às 17h – Encontros de Redes
Tema: Reforma da Previdência e os ataques aos direitos da juventude
Local: Auditório do Museu da Cultura Cearense-MCC

Tema: A cultura feminista reinventando o Brasil
Convidadas: Diretoras mulheres da União Nacional dos Estudantes
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

Tema: A cultura como forma de resistência e de reinvenção do movimento LGBT
Convidadas: Luana Hansen (Rapper e DJ), Lorelay Fox (Youtuber)
Local: Térreo do Bloco 1 Dragão do Mar

Tema: Lançamento do Festival Mundial da Juventude Democráticas-FMJD
Convidados: Rubens Diniz (Ex-secretário Geral da OCLAE)
Local: Arena da  Praça Verde Historiador Raimundo Girão

Tema: Encontro da Rede Livre
Convidado: Cláudio Prado (Especialista em cultura digital), Bruno Martin (Hacklab)
Local: 2º andar do Bloco 1 Dragão do Mar

14h às 17h – Seminário do CUCA
Tema: Políticas culturais em tempos de resistência
Convidados: Evaldo Lima (Secretário de Cultura de Fortaleza CE), Ivana Bentes (Professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ), Afonso Oliveira (Secretário de Cultura de Olinda PE), Marcelino Granja (Secretário de Cultura de Pernambuco), Javier Alfaya (Ex-presidente da UNE)
Local: Auditório Espaço Mix Dragão do Mar
14h às 17h – Mostra estudantil de audiovisual
Filmes e vídeos: 8 produtos
Duração: Aprox. 107’
Filme: Onze
Duração: 26”
Diretor: Luan Rocha (Fanor-CE)

Filme: CampoContraCampo
Duração: 15’27”
Diretor: Nathalia Cavalcante (Unespar-PR)
Filme: Carolina
Duração: 14’45”
Diretor: Direção Coletiva (AIC-SP)

Filme: S3TART – PALAFFITI 2|∞
Duração: 14’59”
Diretor: Direção Coletiva (Aeso-PE)

Filme: Poesia Segunda Pele
Duração: 14’17”
Diretor: Direção Coletiva (UFRJ-RJ)
Filme: Herdeiras Do Novo Milênio
Duração: 10’19”
Diretor: Tassiana Rodrigues (UnB-DF)

Filme: Kronos
Duração: 6”36′
Diretor: Juan Silva (FAP-PR) e Yuri Riesemberg (FAP-PR)

Filme:  O Crato tem dança
Duração: 6”28′
Diretor: Coletivo “O Crato tem dança” (Integradas de Patos-CE)
Local: Sala 2 Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco

15h às 16h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Descendentes
Companhia: Arte de Viver (UECE-CE)
Duração: 50 min
Local: Dragão do Mar

15h às 17h – Ato e lançamento dos livros do Golpe 2016
Livros: “Por que gritamos Golpe?”, “O Ceará e a resistência ao Golpe 2016”, “Golpe 16”
Convidados: Marcelo Uchôa (Escritor), Renato Rovai (Jornalista e escritor), Edson Silva (Coordenador da Intersindical), Adilson Araújo (Presidente Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil-CTB), Camila Lanes (Presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas-UBES)
Local: Palco Praça Verde Historiador Raimundo Girão

16h30 às 17h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Maria Firmina
Companhia: Cia Sol das Artes (UFMA-MA)
Duração: 20 min
Local: Teatro Dragão do Mar

17h às 20h – Encontro II
Tema: A reinvenção da cultura na defesa da democracia no Brasil
Convidados: Juca Ferreira (Ex-ministro da Cultura do Brasil), Ana Petta (Atriz e cineasta da Clementina Filmes), Tico Santa Cruz (Cantor e compositor), Liliane Oliveira (Marcha Mundial das Mulheres-MMM)
Local: Teatro Dragão do Mar

17h às 20h – Encontro III
Tema: Reinvenção da economia e as saídas para a crise
Debatedores: Ciro Gomes (Ex-governador do Ceará), Luciana Genro (Ex-deputada federal Psol RS)
Local: Palco Praça Verde Historiador Raimundo Girão

17h às 20h – Mostra convidada de audiovisual
Filme: Cinema Novo
Duração: 90’’
Convidado: Eryk Rocha (Diretor do filme)
Local: Sala 2 Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco

18h às 20h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Debaixo da pele
Companhia: Grupo de Teatro Eureka (UFRN-RN)
Duração: 100 min
Local: Praça Almirante Saldanha

20h às 22h – Vernissage da mostra estudantil de artes visuais
Obras e artistas selecionados: “Yarn Bombing” de Laise Xavier dos Santos (UFBA-BA), “Terceiro Impeachment: batalha política” de Marlon Lopes Leal (USP-SP), “Mata-Zé” de Matheus Martins Mendes (UFERSA-RN), “Solidão dos bustos” de Silvana Pinto Mendes (UFMA-MA), “Sem Título” de Fernanda Braz (FEBASP-SP), “Armadeira e Armadura” de Amanda Ehrhardt Cherici Nogueira (UnB-DF), “Sexo” de Iarima Bellan Peixoto (UFF-RJ), “Saudade Roxa” de Amanda Fernandes dos Santos (UFPI-PI), “Lavando a opressão suja” de Bianca Ludgero Lima da Silva e Iris Maxwell Costa (UnB-DF), “Crateras” de Artur dos Santos Prudente (UFBA-BA), “Temer, Carmen, Temer ou mais conhecido como Temer Miranda do Cunha” de Moacir Ferreira (UNILA-PR), “O Suicidário” de Roberval Borges de Moraes Filho (UFPI-PI), “Maculação” de Álamo Pascoal das Neves Filho (UFC-CE), “Distorções de si” de Allan Gomes Menezes (UFC-CE), “Mar de gente” de Debora Guedes e Gabriel Souza Santana (UFMG-MG), “A Centopéia de Antropomorfos” de Jéssica barros dos Santos (UnB-DF), “1432” de Waquila Correia da Silva, Vinícius Luiz Antônio Machado, Bernardo Carvalho Trindade, Cindy Gonçalves Rocha (UFU-MG), “Novelo de Fita” de Victor Gargiulo (UFBA-BA), “Se minha escola fosse minha” de Marcos Bruno Firmino Mendes (FIAM FAAM Centro Universitário-SP), “O muro (des)humano” de Tiago Paschoalatto Cagliari (FIAM FAAM Centro Universitário-SP), “Geladeira 55” de Rebeca Oliveira, Silas Menezes Silva, Gelton Alves Sacramento, Kátia Letícia Costa Santos, Gleison Richelle França da Silva Reis (UFBA-DF), “Encontro” de Albert Lazarini (FPA-SP), “Desordem Interior” de Lucas Motta -O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC-SP).
Local: Multigaleria Dragão do Mar

20h às 22h – Mostra convidada de audiovisual
Filme: O Desafio
Duração: 86 min’’
Diretor: Paulo César Saraceni
Local: Sala 2 Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco

22h às 2h – Mostra convidada de música
DJ: Miguel Pontes
VJ: Max Leguiza
Tributo “Elas cantam Belchior” (Nayra Costa, Lídia Maria, Mulher Barbada, Lorena Nunes)
 Selvagens à Procura de Lei
 Local: Praça Almirante Saldanha


30 DE JANEIRO (SEGUNDA-FEIRA)

9h às 10h – Atividade cultural
Local: Praça Verde Historiador Raimundo Girão

9h às 17h – Lado C
Locais: Comunidades de Fortaleza e Região Metropolitana

10h às 12h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

10h às 13h – Oficinas
Tema: Repente e poesia cantada
Oficineiro: Rubens Ferreira
Local: Sala de Dança do Porto Iracema das Artes

Tema: Lambe-lambe
Oficineiro: Narcélio Grud
Local: Atelier de Criação do Porto Iracema das Artes

Tema: Dramaturgia instantânea
Oficineiro: Grupo Nóis
Local: Sala de Teatro do Porto Iracema das Artes e  Espaço Rogaciano Leite

Tema: Formação em midiativismo
Oficineiro: CUCA da UNE
Local: Lab 1 do Porto Iracema

Tema: Elaboração de projetos culturais
Oficineiro: Fernando Elpídio
Local: Auditório Espaço Mix do Dragão do Mar

Tema: Graffiti
Oficineiro:
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

10h às 13h – Encontro IV
Tema: A reinvenção do povo brasileiro com olhar no sertão
Convidados: Paulo Linhares (Presidente do Instituto Dragão do Mar), Conceição Dantas (Marcha Mundial de Mulheres-MMM), Pedro Laurentino (Poeta e escritor), Aldo Rebelo (Ex-deputado federal PCdoB SP), Leonardo Guelman (Superintendente do Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense e Coordenador do Interculturalidades)
Local: Palco Praça Verde Historiador Raimundo Girão

10h às 13h – Mostra estudantil de ciência e tecnologia
Locais: Salas A1, A3, A5 e Auditório do Porto Iracema das Artes

10h30 às 12h30 – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

11h30 às 13h30 – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

12h às 14h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

13h às 14h – Atividade cultural
Convidados: Afoxé Acabaca
Local: Praça Verde Historiador Raimundo Girão
Convidados: Associação Zumbi de Capoeira
Local: Arena Praça Verde Historiador Raimundo Girão

14h às 15h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Fuzuê
Companhia: Coletivo Fuzuê (UFSJ-MG)
Duração: 60 min
Local: Teatro Sesc Dragão

14h às 16h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

14h às 16h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Oficina Corpo e movimento
Companhia: Emanuelle Basse (Uniso-SP) e Gustavo Caldana (UFBA-BA)
Duração: 120 min
Local: Sala de Dança do Porto Iracema

14h às 17h – Atividades autogestionadas

Tema: Educação popular – territórios periféricos e direito a terra
Convidados: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra-MST
Local: Arena Praça Verde Historiador Raimundo Girão

Tema: Encontro Fora do Eixo Nordeste
Convidadas: Marielle Ramirez (Fora do Eixo), Dríade Aguiar (Fora do Eixo)
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

Tema: Comunicação e tecnologia
Convidados: CUCA da UNE
Local: Lab 1 do Porto Iracema

Tema: A importância das empresas juniores na universidade
Convidados: Brasil Junior
Local: Auditório do Museu da Cultura Cearense
Tema: Combate ao racismo
Convidados:
Local: 2º andar do Bloco 1

14h às 17h – Seminário do CUCA
Tema: Redes e circuitos de linguagens artísticas
Convidados: Alfredo Manevy (Ex-presidente da SPCine), Marcelo Bones (Frente Nacional de Teatro-FNT), Talles Lopes (Rede Brasil de Festivais), Toni C (Colegiado Setorial de Livro e Leitura do Conselho Nacional de Políticas Culturais-CNPC), Vivi Sales (Poesia de Esquina), Mileide Flores (Coordenadora de Políticas do Livro e da Leitura)
Local: Auditório Espaço Mix Dragão do Mar

14h às 17h – Mostra estudantil de audiovisual
Filmes e vídeos: 8 produtos
Duração: Aprox. 103’
Filme: SUPERDANCE
Duração: 20’41”
Diretor: Pedro Henrique Saraiva Gino (UFC-CE)
Filme: O PREÇO
Duração: 18”20′
Diretor: Álvaro Costa (Anhembi Morumbi-SP) e Wellington Amorim (Anhembi Morumbi-SP)
Filme: LATOSSOLO
Duração: 18′
Diretor: Direção Coletiva (UFRB-BA)
Filme: Bloco 1 – Ocupações: Bloco A Gragoatá, IGEO, Cortejo e IF
Duração: 10”13′
Diretor: oCuPaRede (UFF-RJ)
Filme: Bloco 2 – EAU, UFMG e Direito UFF
Duração: 13’35”
Diretor: oCuPaRede (UFF-RJ)
Filme: Bloco 3 – IACS, Direito UFRJ e CPII
Duração: 12’54”
Diretor: oCuPaRede (UFF-RJ)
Filme: Manancial
Duração: 7’30”
Diretor: Bruno Soares (UFCG-PB)
Filme: anxietatis
Duração: 13’56”
Diretor: Camilla Motta (UFBA-BA)
Local: Sala 2 Cinema Dragão do Mar – Fundação Joaquim Nabuco

15h às 17h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

16h às 17h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Qual é a sua guerra?
Companhia: Alunos de licenciatura em Teatro da UFC (UFC-CE)
Duração: 40 min
Local: Arena Patativa do Assaré

16h às 18h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

17h às 19h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

17h às 20h – Encontro V
Tema: A reinvenção da sátira e da crítica
Convidados: Chico Lopes (Deputado Federal pelo PCdoB CE), Tia Má (Blogueira), Gustavo Mendes (Humorista)
Local: Anfiteatro Sérgio Motta

17h às 20h – Mostra convidada de audiovisual
Filme: Os Fuzis
Duração: 80″
Diretor: Ruy Guerra
Local: Sala 2 Cinema Dragão do Mar – Fundação Joaquim Nabuco
17h às 17h30 – Mostra estudantil de Artes Cênicas
Espetáculo: O fantástico suicídio do Bobo Bartô
Companhia: Cia Mala de Mão de Arte de Palhaço (UFF-RJ)
Duração: 20 min
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

17h30 às 18h – Mostra estudantil de Artes Cênicas
Espetáculo: Dança para o menino Ícaro
Companhia: William Axel (IFCE-CE)
Duração: 20 min
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

18h às 20h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

19h às 21h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar
19h às 20h – Mostra estudantil de Artes Cênicas
Espetáculo: Benedites
Companhia: Coletivo Ocupa Teatro (MG)
Duração: 50 min
Local: Teatro Sesc Dragão

20h às 22h – Sarau da mostra convidada de literatura
Tema: Na lembrança de Patativa do Assaré
Escritores: Mel Duarte, Miró de Muribeca, Mulheres Cordelistas, Rede Mnemozine
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

20h às 22h – Mostra convidada de artes cênicas
Espetáculo: Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Companhia: Grupo Nóis de Teatro
Duração: 120 min
Local: Praça Verde Historiador Raimundo Girão     
20h às 22h – Mostra convidada de audiovisual
Filme: Deus e o Diabo na Terra do Sol
Duração: 125’’
Diretor: Glauber Rocha
Local: Sala 2 Cinema Dragão do Mar – Fundação Joaquim Nabuco
22h às 1h – Mostra estudantil de música
Bandas: Gabrielle Gomes (Fametro-CE), Zaubar (UniLeão-CE), Caju Lilás (UnB-DF), Guerrilha dos Coelhos Mutantes (UFG-GO), Talita Barreto (UFMG-MG), Overdrive Saravá (UFF-RJ), Samora N’Zinga (UFMG-MG), Mano Money’s (Unisa-SP), Mulheres de Buço (UFF-RJ)
Local: Praça Almirante Saldanha

1h às 2h – Mostra convidada de música
DJ: Mr. Gazos
VJ: Max Leguiza
Gaby Amarantos
Local:
 Praça Almirante Saldanha

31 DE JANEIRO (TERÇA-FEIRA)

9h às 10h – Atividade cultural
Local: Praça Verde Historiador Raimundo Girão
9h às 17h – Lado C
Locais: Comunidades de Fortaleza e Região Metropolitana
10h às 12h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar
10h às 13h – Oficinas
Tema: Passinhos das periferias
Oficineiro: Bruno DLX e Liga do Funk
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

Tema: Xilogravura
Oficineiro: Silvano Tomaz
Local: Térreo do Bloco 1 Dragão do Mar

Tema: Escrita criativa e autobiografia para mulheres
Oficineira: Ana Karine Lima
Local: Sala de Teatro do Porto Iracema das Artes

Tema: Captação de imagem e áudio em entrevista  
Oficineiro: CUCA da UNE
Local: Estúdio de Audiovisual do Porto Iracema das Artes

Tema: Encontro de empresas juniores
Oficineiro: Brasil Junior
Local: 2º andar Bloco 1 Dragão do Mar

Tema: Gestão de projetos culturais
Oficineiro: Fernando Elpídio
Local: Auditório Espaço Mix do Dragão do Mar

10h às 13h – Encontro VII
Tema: A reinvenção da comunicação e as novas narrativas
Convidados: Fábio Malini (Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura-Labic), Renata Mieli (Presidenta do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação-FNDC), Antônio Alonso (Instituto Lula)
Local: Palco Praça Verde Historiador Raimundo Girão

10h às 13h – Encontro VI
Tema: Reinvenção das fronteiras
Debatedores: André Brayner (Membro do Instituto África e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza), Fernando Haddad (Ex-prefeito de São Paulo)
Local: Sala 2 Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco

10h às 13h – Mostra estudantil de ciência e tecnologia
Locais: Salas A1, A3, A5 e Auditório do Porto Iracema das Artes

10h30 às 12h30 – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

11h30 às 13h30 – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

12h às 14h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

13h às 14h – Atividade cultural
Convidados: Tambor das Marias da Casa de Mestre Felipe
Local: Praça Verde Historiador Raimundo Girão

Convidados: Associação Zumbi de Capoeira
Local: Arena Praça Verde Historiador Raimundo Girão

14h às 15h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Vem cacuriar
Companhia: Luarte (UFMA-MA)
Duração: 50 min
Local: Praça Almirante Saldanha para Praça Verde

14h às 16h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

14h às 17h – Seminário do CUCA
Tema: Encontro de redes culturais
Convidados: Pablo Capilé (Fora do Eixo), Emiliano Fuentes Firmani (CUCA Argentina), Dyonne Boy (Reage, artista, Ocupa MinC), Beto Teoria (Nação Hip Hop Brasil)
Local: Auditório Espaço Mix Dragão do Mar

14h às 17h – Mostra estudantil de audiovisual
Filmes e vídeos: 9 produtos
Duração: Aprox. 103’’

Filme: Memórias do rio Cachoeira
Duração: 25′
Diretor: Victor Aziz (UFSC-SC)

Filme: OCUPA EDUCAÇÃO
Duração: 16’19”
Diretor: Realização Coletiva (UFF-RJ)

Filme: As Galeras
Duração: 14’29”
Diretor: Juliana Portella (UFRJ)

Filme: Ausência
Duração: 13’16”
Diretor: Wesley Monteiro (Anhembi Morumbi-SP)

Filme: Imbilino vai ao cinema
Duração: 14’52”
Diretor: Samuel Peregrino (UEG-GO)

Filme: Arte e Revolta em Brasilia
Duração: 9”33′
Diretor: Emivalter dos Santos (UFG-GO)

Filme: AgitProp
Duração: 5”31′
Diretor: Kennet Anderson da Cruz Medeiros (UFRN-RN)

Filme: Tonterias II
Duração: 3”55′
Diretor: Victor Gargiulo (UFBA-BA)

Filme: Apresente seu mundo ao mundo
Duração: 2’4”
Diretor: Madjer Alves (UFF-RJ)
Local: Sala 2 Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco

15h às 17h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

15h às 17h – Sarau da mostra selecionada de literatura
Convidado: Associação de Cordel do Ceará
Local: Arena Praça Verde Historiador Raimundo Girão

15h às 17h – Aula Magma da 10ª Bienal da UNE
Convidado: José Celso Martinez Corrêa (Presidente e diretor artístico da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona)
Local: Palco Praça Verde Historiador Raimundo Girão

16h às 18h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

17h30 às 18h30 – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Projeto Lama
Companhia: Doroti Ferreira (UFMA-MA) VItor Vihen (UFMA-MA)
Duração: 40 min
Local: Arena Patativa do Assaré
  
17h às 19h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

17h às 20h – Mostra convidada de Audiovisual – Memória do Movimento Estudantil
Filme: Praia do Flamengo 132
Convidados: Vandré Fernandes (Diretor do filme), Franklim Martins (Instituto Lula), Gustavo Petta (Vereador de Campinas)
Local: Sala 2 Cinema Dragão do Mar – Fundação Joaquim Nabuco

18h às 20h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu de Arte Contemporânea-MAC Dragão do Mar

18h30 às 19h30 – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Amizade é uma coisa, farinha é outra
Companhia: Coletivo Moenda de Teatro (UFGD-MS)
Duração: 50 min
Local: Arena Praça Verde Historiador Raimundo Girão

19h às 20h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

19h às 21h – Visita guiada da mostra convidada de artes visuais
Local: Museu da Cultura Cearense-MCC Dragão do Mar

19h às 21h – Baile Funk do CUCA
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho

19h30 às 20h – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Xaxado pisada do sertão
Companhia: Agrupe (UPE-PE)
Duração: 10 min
Local: Arena da Praça Verde

19h às 19h30 – Mostra estudantil de artes cênicas
Espetáculo: Etnofagia
Companhia: Regiane Farias (UFVJM-MG)
Duração: 30 min
Local: Arena Dragão do Mar

20h às 22h – Mostra convidada de artes cênicas
Espetáculo: Navalha na Carne
Companhia: Teatro Oficina
Local: Teatro Dragão do Mar

20h às 22h – Mostra convidada de audiovisual
Filme: Cinco Vezes Favela
Duração: 92’’
Diretor: Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hizsman, Marcos Farias e Miguel Borges
Local: Sala 2 Cinema Dragão do Mar – Fundação Joaquim Nabuco

22h às 23h – Mostra estudantil de música
Local: Praça Almirante Saldanha

23h às 2h – Mostra convidada de Música
DJ: Guga de Castro
VJ: Max Leguiza, Guetto Roots, Erivan, Emicida
Local: Praça Almirante Saldanha

1 DE FEVEREIRO (QUARTA-FEIRA)

10h às 13h – Assembleia do CUCA da UNE
Local: Auditório Espaço Mix Dragão do Mar
14h às 17h – Culturata 
  • Dias 29, 30 e 31 de janeiro feira de agroecologia na Praça Verde Historiador Raimundo Girão de 10h às 22h.
  • Dias 29, 30 e 31 de janeiro feira de alimentação regional na Praça Verde Historiador Raimundo Girão de 10h às 22h.
  • Dias 29, 30 e 31 de janeiro feira de Projetos de Extensão na Praça Verde Historiador Raimundo Girão de 13h às 18h.
  • Dias 29, 30 e 31 de janeiro feira de livros, zines e cordéis com Revista Fórum, Expressão Popular/Livraria Lamarca, Boitempo/Livraria Arte e Ciência, Fundação Maurício Grabois/Editora Anita Garibaldi, Literarua, Tupynanquim, Companhia das Letras/FortLivros, Rizoma na Praça Verde Historiador Raimundo Girão de 10h às 22h.
  • Dias 29, 30 e 31 de janeiro mostra convidada de artes visuais no Museu da Cultura Cearense de 9h às 21h e no Museu de Arte Contemporânea de 9h às 19h. As exposições serão: Narrativas e Alteridades, Miolo de Pote, Vaqueiros, Raimundo Cela – um mestre brasileiro e A arte da lembrança – a saudade na fotografia brasileira.
  • Dias 29, 30 e 31 de janeiro no Espaço Mix Dragão do Mar a exposição do Espaço Memória do Movimento Estudantil de 10h às 22h.
  • Dias 29, 30 e 31 de janeiro mostra estudantil de artes visuais na Multigaleria Dragão do Mar de 10h às 22h.