quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Quem são eles?

Durante grande parte da minha vida, fizeram-me acreditar, ou talvez eu próprio fiz acreditar que não havia distinção alguma entre esquerda e direita (mas não é a distinção entre mão esquerda e mão direita!). Talvez a dinâmica de alguns governos ditos de esquerda me fizessem enxergar por essa ótica, a ótica mais óbvia e fácil, a que todos querem que usemos. Mas eu mudei... ainda bem:

Durante a história, vimos confrontos memoráveis entre o que se chama direita e o que se chama esquerda, conceito esse que foi criado desde a Revolução Francesa e "iluminou" a cabeça de muita gente, que quando via injustiça e exploração levantava a bandeira da esquerda lá no alto e lutava pela liberdade. Esquerda nunca foi tão bem usado e próximo do que se convencionou quanto na Revolução Russa; o Socialismo e a luta por dias melhores esteve presente em vários momentos daqueles tempos, e a Esquerda se fazia representar. Talvez, esses tenham sido os tempos em que a distinção Esquerda-direita tenha ficado mais clara.

Só que aí veio Hitler e a exterminação de toda liberdade pra quase todos setores da sociedade (Judeus, negros, homossexuais). Mas o que mais me chama atenção é que muito das lutar de Hitler eram movidas pelo slogan de luta contra os diabos vermelhos dos comunistas, como se o comunismo fosse o verdadeiro mal da sociedade. Era o medo que o status-quo tinha de uma mudança profunda nas práticas sociais. Dessa mesma forma, as Ditaduras que ocorreram na América Latina tratavam os comunistas: diabos vermelhos, comedores de criancinhas, e o medo de uma ruptura em relação ao sistema vigente pairava na mente das elites domiantes. Sem falar na batalha que a CIA, junto ao Santíssimo Papa JP II, travaram contra a expansão do comunismo.

O Brasil e grande parte do mundo redemocratizaram-se, e foi, nesse momento, que a distinção de que falo ficou mais obscura, mas não deixou de existir: FHC, presidente do Brasil por dois mandatos, manteve a política de responsabilidade ZERO do Estado sobre os setores da sociedade: educação, saúde... as privatizações correram soltas, dando cada vez mais poder às elites e sucateando os serviços públicos; além de cercear por completo todos os movimentos sociais (estudantil, sem-terra, sindical), inclusive recebendo-os debaixo de cacetetes.

Escrevi esse post porque, na verdade, duas coisas me chamaram muito a atenção: Há algun dias, postei sobre a lei dos cibercrimes que o senador Eduardo Azeredo(PSDB-MG) está tentando aprovar perante o Senado, disso eu sabia há tempo, só que, recentemente fui pego de surpresa, quando soube que o mesmo senador é autor de outro projeto de lei que determina uma quota para o uso das carteiras de estudantes no Brasil(40%). Com o discurso de "regularização" das mesmas, o tal senador pretende mais uma vez, pretende cercear o direito de milhões de jovens. E o pior: a serviço de quem? E ainda tem gente que diz que não existe esquerda/direita...

Hoje, cientistas políticos de plantão, economicescos e pessoas que ganham dinheiro pra dar opinião (leia-se Arnaldo Jabour) fazem de tudo para desmistificar essa distinção entre esquerda e direita, desmistificam as teorias de Marx, desmistificam o sonho de uma nova ordem mundial; fingem não ver o que está sob seus olhos, mas é completamente interessante e visível a quem eles servem.

Aí, me recordo do que uma menina que leu meu blog comentou, usando Gessinger, muito bem usado, por sinal:

"Vender...comprar...
Vedar os olhos...jogar a rede...contra a parede
Querem nos deixar com sede,
Não querem nos deixar pensar!

Quem são eles?
Quem eles pensam que são?"

Alguém sabe?

6 comentários:

Lenine disse...

Exista SIM uma luta, uma guerra, batalhas, entraves, mortes etc. por idéais diferentes. O mundo só tem malandro. Se vacilar eles nos dominam e nos matam. Matam nossa ideologia, nosso sonho.

É preciso lutar, guerrear com unhas, dentes, discursos manobras política movimento estudanil. Todas as armas ainda são poucas para isso, contra eles.

Não é uma luta CONTRA ELES, e sim a favor de um bem estar comunitário, universal, sem desingualdades, com igualdade de oportunidade. Se para isso precisarmos aniquiliar algo, que seja feito, independente do que seja.

Abraços Nilson,

Saudações COMUNISTAS

Jéssika . disse...

quem são eles quem são eles?

muito bom o post, marxista! (com ou sem virgula? rs.)

:*

N disse...

Gostei, pensei que eu não fosse conseguir ler tudo isto em plena madrugada.

xD

Jéssica, a antropofágica disse...

Nossinhora, quando comentei, não pensei que fosse servir de argumento para um post tão bom!
É, querido, a esquerda, realmente, não desapareceu, mas está cada vez mais próxima do outro extremo...
Beijos

Julio Melo disse...

só um test, hehe...

tu é o pai, escreve mto

Ananda disse...

sem argumento depois de ler um belo post deste
=]

parabens !

http://opniaoinutil.blogspot.com/