terça-feira, 1 de novembro de 2016

O jogo está só 2x2


Tenho usado este espaço repetidas vezes nos últimos tempos para dizer que é preciso "calma, paciência e perseverança", ou que a nossa derrota momentânea - pesada, grande, avassaladora - não é motivo para que cortemos os pulsos e desistamos de lutar por uma sociedade mais justa; muito menos é motivo para colocarmos as nossas experiências na lata do lixo da história. Até porque, vejamos bem, o período republicano no Brasil, e tal qual estivéssemos disputando uma partida, qual seria o placar.

A depender dos "reis do tapetão", nem a República existiria no Brasil. Ainda seríamos governados pela Família Real, enviando, sem nenhum escrúpulo, todas as nossas riquezas direto para Portugal. O fato é que, com muita luta - e acordo também, flexibilidade tática - a República foi instituída no Brasil. Vitória do povo brasileiro, mas dirigida, comandada pelas elites políticas e econômicas do país, que continuaram, nas três primeiras décadas da República, "cozinhando o galo", como diz a linguagem futebolística, dando o tom e relegando a maioria da população a seu plano entreguista e antidemocrático.

O primeiro gol que marcamos, e que eles não aceitam até hoje, veio no período Getúlio Vargas, cuja era FHC prometeu acabar. Lá, foram aprovadas leis e instituídos mecanismos de participação do estado na vida econômica e social do país que fizeram que a elite brasileira nunca aceitasse ser governado por Getúlio. Entre essas conquistas, destaque para a criação da CLT,Petrobras, CSN, CHESF, Vale do Rio Doce, BNDES e Banco do Nordeste. Esse primeiro gol que marcamos no período republicano provocou uma verdadeira ira das elites brasileiras. Tentaram anulá-lo, chamaram os juristas do STJD, mas não conseguiram. Para empatar o jogo, só com o gol impedido conseguiram. Através de um Golpe Militar que levou o jogo a condições completamente adversas. Como se, do lado de cá, para jogar, usássemos vendas e os pés amarrados contra um adversário forte, de artilharia pesada e cheio de fúria contra as conquistas sociais.

A Ditadura chegou ao fim, também com muita luta, mas também muito descortino tático para poder, no colégio eleitoral, derrotá-los. No entanto, apesar da conquista inegável, os rumos do país foram, nos primeiros anos de sua redemocratização, conduzidos pelas forças neoliberais, pelos que queriam, mais uma vez, verem nossas riquezas sendo distribuídas mundo afora.

Nosso desempate tardou, mas não falhou. Após várias bolas na trave, o artilheiro Luis Inácio Lula da Silva conduziu nosso time a mais um golaço na história republicana brasileira. Mudamos o sentido da história brasileira nesses anos; conduzimos o país à mais profunda transformação da história. Levamos negros, pobres, mulheres às universidades; demos dignidade a milhões de brasileiros que saíram da extrema pobreza; passamos a ter altivez nas relações internacionais do país e o artilheiro de nosso time, o Lula, passou a ser reverenciado pelo mundo todo, recebedor de vários títulos Honoris Causa em diversas universidades do mundo. E digo mais: foram 12 anos e quatro eleições de domínio completo do jogo, sem que o adversário chegasse perto de nossa meta, encolhidos, enfraquecidos e moribundos.

É aí que, mais uma vez, tal qual o Fluminense, no tapetão, a elite brasileira - digo, nascida no Brasil - cria regras diferentes, acha a ajuda da TV e do judiciário "desportivo" para novamente empatar o jogo. Mais uma vez empatam o jogo com um gol claramente impedido, de mão e com jogador irregular. Com o poder do Clube dos 13 da política nacional, da imprensa teleguiada e do judiciário venal e corrupto brasileiro, conseguiram, a duras custas, implantar esse golpe, que mais uma vez será revertido pelas forças populares brasileiras.

Mas o jogo ainda está em andamento. O jogo é o jogo da história, e essa não terá fim enquanto houver o time de lá e o time de cá. Por isso, estamos vivos, e jogando. Precisando arrumar a zaga para evitar mais gols do adversário, e precisando arrumar o meio de campo para fazer as devidas ligações de jogo - com o povo, com a classe política, com quem vai decidir em campo - e, obviamente, fazer contratações para ajeitar o time. Por que não? Do lado adversário há os que jogam, e jogam bem. Tirá-los de lá e trazê-los pra cá é um ótimo exemplo de participação ativa na luta e na história. Estamos vivos e jogando, por mais um gol, pelo Brasil.

3 comentários:

Matheus Lins disse...

Excelente, líder. Vamos vencer.

Unknown disse...

Nao se faz acordo com gangsters.

Antonio Diego disse...

Tira braba