domingo, 4 de maio de 2008

Pensamentos. Idéias

Pensamentos. Idéias.

As idéias que os jovens trazem consigo são interessantes. Há um tempinho, quando era colegial, eu em dizia o cara mais independente do mundo. "Ah, num ligo pra o que ninguém diz." E nesse tempo fiz muitas coisas, das quais, em sua grande maioria, arrependo-me. Popularidade.

Que termo lindo! Durante minha vida colegial semper almejei esse status. Já deixei cabelo grande, já deixei minha barba enorme. Quis ser rockeiro doido, quis ser boyzinho. Quis ser tudo que achava que os outros queriam de mim.

Hoje, sinto que se fizesse o que EU queria, acabaria por repetir as merdas que sempre fiz. Mas o fato é que a gente nunca é independente o suficiente pra fazer o que quer( oh novidade!). Só que , principalmente aqueles que gostam de dizer que não ligam pra opinião alheia, são os que mais ligam. Camuflam-se, vestem-se, fantasiam-se para agradar o público. Nesse eterno show eu a nossa vida se delineia, vamos representando muito bem nossos papéis.
E sempre há de se escolher entre o papel de mocinho ou o papel de bandido.Horas fui bandido, horas sou mocinho.

Há aqueles que se dizem apolítico, que criticam o governo, a câmara...
Há aqueles que dizem que não levam fé nenhuma em nada.
Eu levo, levo a vida pra ela não me levar. Escrevo nesse blog esperando que leiam.
Falo esperando que escutem
Existo esperando que notem...

domingo, 20 de abril de 2008

Cale-se

fugimos de mais um engano
fugimos da multidão
eu, você, minha nação
procurando sangue nos panos

mancharam o meu rosto
como Manhatam em setembro
dedos em "nosotros"
histórias que ainda me lembro

6 anos pra me calar
calando ou dizendo que não
sem saber no que vai dar
faço delas minha prisão

liberdade aprisionada
a ordem é só uma:
fuja, corra ou suma
pois a obra está encerrada...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

mais uma letra:

Há...(Nilson Vellazquez)


há multidão em todo lugar
há o cheiro da morte solto no ar
há coquetel molotov para apaziguar
o caos e a sorte de quem tenta lutar

silêncio, silêncio! para escutar
discuros discretos, descentes ou não
sprays na parede para decorar
a paisagem do inferno que é nossa prisão

o poeta sem dentes perdeu a noção
ouviu do presidente sua redenção
em mais um "hipertexto" acabam-se os sonhos
e mais um desprezo pra um corpo enfadado

"Que cai...A mente surda que não quer andar pra traz
Pablo Neruda não adiantará ler mais
negociar a vida no banco central
e esperar que tudo volte ao normal"

Há mais uma pedra no meio do caminho
que ele pega e atira na vidraça
há mais uma morte na família do vizinho
que sentado espera atingir a graça

Há mais uma bala vagando sozinha
procurando a cabeça a quem acertar
e o poeta escreve a última linha
esperando a tempestade passar

mas ela:

cai... a mente surda que não quer andar pra traz
tudo que ouviu sobre os tratados de paz
e na gravata de um fulano de tal
esse discurso torna-se um temporal

segunda-feira, 31 de março de 2008

Tá rolando...

Finalmente a Overdose Homeopática conseguiu gravar as duas músicas que estávamos gravando. O processo foi longo, mas pelo que eu vi, recompensador. Portanto, aguardem, em breve. Essas músicas no myspace.

Mas não deixem de visitar, que têm duas músicas lá:

www.myspace.com/overdosehomeopatica

essa música letra aí nem tem música ainda. Mas eu gosto dela...



SOS(Nilson Vellazquez)

São sábios sanguessugas que estão a sugar
A sangria cidadã de quem só faz trabalhar
São seres que rastejam em frente a um sinal
São sobras de um sistema um tanto quanto desigual

Sumiram as esperanças de um sábado feliz
Sumiram as esperanças de viver nesse país
Esperando um salário para se poder manter
Vivendo uma vida sem saber o que vai ser

O salvador que ainda aguardam até agora não chegou
Enquanto isso o povo sangra sem poder nem sentir dor
Mas eles têm que manter o corpo forte e a mente sã
“Sãos” Josés São joãos lutando a cada manhã

que show é esse que me obrigam a assistir
Que dor é essa que eu não posso nem sentir
Que solidão que eu sinto aqui nessa prisão
Só pra ganhar status de um cidadão

E pintam na tv um mundo lindo e azul
O mal que se criou se estende do norte ao sul
Não existe super-homem pra poder nos ajudar
São sagrados santos-homens a sofrer neste lugar

Sanguinários presidentes anunciam mais um plano
São sentenças pra acabar com a vida do ser humano
Não adianta mais sonhar com um futuro melhor
Só nos resta esperar que tudo um dia vire pó.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Imagem e semelhança

Dia desses, vendo TV, deparei-me com uma matérica curiosa: O "baianês" - como falar quando você vier à Bahia. Interessante! Essas matérias pretendem ser engraçadas, curiosas, e mesmo não pretendendo, preconceituosas.

Estudando Teorias Lingüísticas, aprendi muito sobre a questão das variações lingüísticas, de acordo com idade, sexo, espaço geográfico e por aí vai.

Mas a matéria não se detia a isso. Ela falava coisas do tipo: "ah, o baiano não liga pra nada"; "a gente é relaxado"; "tendo uma rede a gente se entende". E isso realmente não me agradou. Os rótulos, são criados de forma caricaturesca, e são aceitos. É, são aceitos. Isso é o mais degradante: o cidadão local aceitar certos tipos de rótulos.

No Brasil, em quase todos os estados, fala-se que o baiano é preguiçoso, que ele não quer nada com a vida... Que os outros que não conhecem falem, até é compreensível, mas o que não me desce é o próprio baiano aceitar esse rótulo e contribuir para essa imagem.

Lá fora, vêem o Brasil pelo mesmo par de óculos. Já os Ingleses, são vistos com os pontuais, os trabalhadores. E daí falamos o mesmo dos japoneses, dos americanos. "Ah, mas brasileiro é vagabundo".

Interessante é que quem tá "por cima", adora criar rótulos de quem está "por baixo". Será que vai ser sempre assim?
Eu já fui rotulado de "tabacudo", de "chato", de "doido", de "burro" e de "inteligente". Recebo esses rótulos amasso e os jogo no lixo. Enquanto isso, ficamos à espera de mais alguém pra rotular e ser rotulado. Alguém também que não aceite.

Quem vai ser o próximo?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Elas existem?

A vida, a ficção, a Literatura são extremamente interessantes e semelhantes. Mesmo sendo algo realmente clichê, eu fico pensando naquela velha máxima "a arte imita a vida" ou "a vida imita a arte".

No último domingo tivemos a badalada premiação do Oscar; desta vez sem muito brilho, ou na verdade sem muito conhecimento deste que vos escreve. Daí me vem a lembrança do bom e VELHO cinema: o mocinho, que ama a mocinha, que foi presa pelo bandido...

E é sobre esse bandido que eu gostaria de falar. Há um tempo, no cimema ou na Literatura, os bandidos eram aqueles seres planos, malvados ao extremo, com "olho de vidro e cara de mau". Faziam coisas que até o diabo tinha inveja... Mas aí todo mundo pensava: "Ah, esse tipo de coisa só existe em filme mesmo".

Pode até ser, que algumas coisas só acontecessem. Mas se é verdade que a arte imita a vida, ou a vida imita arte, uma tá imitando a outra muito direitinho...

No cinema, os vilões estão com um "quê" a mais de vida real( eles sofrem, se apaixonam, choram... ) , em certos filmes a gente até torce pelo vilão. Há uma aproximação salutar do homem imaginário do cinema, e do homem real. Só que esse caminho é de mão dupla. Se por um lado acreditamos que os vilões de cinema estão cada vez mais "humanos", os seres humanos, por sua vez, estão ficando cada vez mais cinematográficos. Seja pelo lado bonzinho advindo de programas como Big Brother, que prezam por imagens de bons moços e de boas garotas; seja por pessoas do mundo real, vilões da vida diária.

Eu acredito qu Bush's, Bin Laden's, Saddam's foram personagens tirado de alguma história fictícia e materializados em forma de gente. Acredito que aqueles policiais que mataram a criança de 13 anos aqui em Recife, fazem parte do mesmo grupo. É, porque nós quando lembramos de vilões da vida real, lembramos logo dos grandes chefes de Estado e homens de altos cargos. Mas há, no nosso cotidiano vigarices e vilanices dignas de um Oscar.

Alías, o Oscar tá mudando. O cinema tá mudando...A maldade é hermafrodita.

É por essas e outras que, às vezes, antes de dormir eu tenho compaixão pelo Hannibal...
Aquilo sim era um vilão de verdade...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Quem é você?

Venha ver o mundo
venha ver o céu
simples e absurdo
como num papel

tire seus sapatos
chame-a pra dançar
sem ligar pros atos
que te fazem parar...

vai lá ser dele
segure suas mãos
diga não a tantos "nãos"
vista aquela sua roupa

mais um dia pra fingir
dizer que não está mais nem aqui
acreditar que não é só mais um trovão
que é chuva que vem pra iluminar a escuridão...