terça-feira, 9 de abril de 2013

Meu mapa é a Poesia

Meu mapa é a poesia
Minguante mira pelo ar
Minúcia de ser a bela
Eterna que há por cá

Posso passar os meus olhos
Qual viajante sem destino
Procurando no papel
O olor cantado em teus hinos

Quero sorrir loucamente
Fazer a palavra arder
Inverter nossos sentidos
a boca da rima morder!

Vou devorar o que é belo
Subverter tua lei
Rasgar o que há no libelo
que diz ser doença o que sei

Vou viajar no exagero
da tua sábia languidez
Nas pedras jogadas com esmero
Do caminho em que Carlos te fez

Mas vou voltar, sem ter medo de me achar
pois meu mapa é a poesia
e a metáfora meu lugar.

sábado, 6 de abril de 2013

Haikai

High









                             

                                     Cai.







segunda-feira, 1 de abril de 2013

Alagou as

Cá estou eu, em Maceió, e nada mais justo do que escrever sobre coisas que marcam e dizem mais sobre as características dessa cidade irmã do Recife. Para além das belas praias por que Maceió é conhecida no Brasil, a música é algo que me interessa. Em todo lugar do Brasil que passo, preciso saber sobre a música, a comida e a cachaça. Segue, então, um breve comentário sobre o último álbum do Wado, lançado no ano de 2011, mas que só pude ter acesso no início deste ano.

Conheci Wado em meados de 2008, se não me engano, num show do Coquetel Molotov, no Recife. Escutei sua música com uma atenção que nem sempre dou aos artistas desconhecidos que vejo em shows, mas a música que tocava era Tormenta, seus samplers de violinos e a tragicidade de sua mensagem sonora e poética me instigaram a procurar mais sobre essa obra. O que marcava era: "antes da chuva de sangue, antes da chuva de sapos...". De lá pra cá, Wado já lançou alguns álbuns, se firmou numa cena independente nordestina e brasileira e lança, em 2011, o álbum intitulado Samba 808. O álbum me joga para o Cais do Apolo, no Rec Beat; seu som dançante, reflexivo e carregado me faz sentir em pleno carnaval recifense. Se fosse no período de colegial, combinaria com o vinho carreteiro que tomava a fim de me embriagar; hoje me embriago de cerveja e sons. 

Rotular o som de um artista multifacetado como o Wado é sempre uma ousadia que beira o erro, mas esse CD me causa a impressão de estar escutando um "samba progressivo", com o suinge do samba, brasilidade e ao, mesmo tempo, a mobilidade de um rock progressivo, feito à base de um sampler norte-americano 808. Nas três primeiras faixas, Si Próprio (com Zeca Baleiro); Esqueleto (com Curumin) e Surdos de Escola de Samba (com Chico César) essa característica é bem forte. Logo em seguida, o álbum nos apresenta o que obviamente poderia virar single: com participação de Mallu Magalhães e Marcelo Camelo, "Com a Ponta dos Dedos" é uma balada cantada com emoção, com beleza e verdade no dizer; música excelente. A próxima sequência de músicas (Portas São Para Conter ou Deixar Passar; Recompensa e Não Para) é, na minha opinião, a melhor do álbum; excelentes músicas que realçam o jeito peculiar de canto do Wado. 

O "Samba 808" ainda conta com várias participações, como Fábio Góes e André Abujamra, dando uma miscelânea interessante ao que escutamos. Nas faixas Vai ver; Jornada e Beira Mar, com destaque para a última, Wado encerra o que, com certeza, posso afirmar, é um excelente álbum. Ótima propaganda do estado de Alagoas e ótimo estímulo ao sentido da audição, numa cidade em que olhos, ouvidos e nariz são constantemente estimulados e convidados a voltar. Fica a dica!


http://wado.com.br

segunda-feira, 25 de março de 2013

Homenagem

Queria ser o Rio Capibaribe
Que como a maré, enche de água os teus olhos
Nesse canto de amor ao teu lugar

Queria cantar como as ondas
de um fim de tarde batendo
Nem que seja num momento
Para de mim se lembrar

Mas poderia ser o Mercado de São José
Penetrar-te na memória
que só o aroma pode ter

Qualquer rua que te encante
ou sombra que te proteja
Pedras por onde pisas
ou camas em que te deitas

Tudo que, por aqui
Aos olhos possa encantar
Ou fruto doce da terra
Para em tua boca acabar

quarta-feira, 20 de março de 2013

Rua do Hospício

Rua do Hospício!
Com quantos segredos contamos tua história?
Com quantas loucuras guardamos tua memória?

Peguem, peguem!
Há um menino pedindo esmola!
Há uma fumaça cheirando a esgoto!

Camisa de força! Cadê?
Para os que insistem em lutar.
Parem os carros de som, parem os que teimam viver!

Rivotrill, Lexotan, Menelat, Gardenal!
Pois há um acidente na estrada
Há uma nudez imoral

(...)

- Imoral é a fome, Rua do Hospício!

Prendam, internem-na
E no final, agradeçam a Deus...
Pois, lá, naquela esquina, há um homem, de gravata e bíblia na mão
Maldizendo a loucura e vendendo a salvação.



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lutar pelo Protagonismo é Lutar pela Hegemonia


Protagonismo. Não há ninguém que participe, minimamente, do ambiente político que não entenda o real significado dessa palavra. Ser protagonista de um projeto político é tarefa árdua, principalmente para os jovens socialistas. Lutar pela hegemonia política necessária para implementar as transformações de que o nosso país precisa passa por uma série de fatores que exigem uma dedicação, disciplina e formulação muitas vezes cansativas, mas instigantes. Ser protagonista no campo das ideias, na disputa democrática e entre os movimentos sociais é uma conquista, um objetivo permanente e, não raramente, exercitado pelos estudantes brasileiros.

A UNE, dirigida pelos socialistas, para conquistar o protagonismo, sempre esteve na vanguarda daquilo que é estratégico para a construção de um Brasil cada vez mais forte e soberano. Os estudantes brasileiros sempre se negaram às posturas corporativistas e estreitas; muito pelo contrário, o interesse dos estudantes é interesse da nação. Não obstante, a UNE protagonizou, por exemplo, a criação da Petrobrás, exigiu, formulou e mobilizou para que o petróleo fosse nosso. Hoje, o Brasil está entre um dos maiores produtores de petróleo do mundo e, com a produção do pré-sal e outras políticas de crescimento econômico, alavancado a 6ª maior economia do mundo. Vitória dos estudantes. Através da UNE e da UBES protagonizamos a resistência à repressão do Regime Militar, derramando sangue e tendo muitos de nossos companheiros assassinados; protagonizamos a derrubada de um presidente corrupto, lutamos contra o neo-liberalismo e protagonizamos a construção de um país diferente do que outrora tivemos – complexo, mas de imensas possibilidades - . O símbolo da UNE é o Brasil!

Para Gramsci e Lênin, a sociedade é um todo orgânico e unitário que se explica a partir da base econômica, mas que não pode ser reduzida inteiramente a ela, pois para tal redução implicaria a negação da ação política e da própria hegemonia. Lênin já afirmava que cabe aos comunistas intervir em todos os momentos da vida social e política e movimentar-se em todas as camadas da população. Ou seja: forte como uma rocha nas ideias e fluido como água na penetração. É por isso que atuamos entre jovens cientistas, negros, mullheres, LGBT’s etc. Bandeiras que, entre os socialistas, são partes de um objetivo muito maior.

E antes que sejamos questionados pelos saudosistas, é gratificantes sentir o protagonismo sendo exercitado, ainda hoje, num ambiente político muito mais favorável. A UNE, junto com a UBES e ANPG, tem protagonizado lutas que farão diferenças profundas no Brasil, a curto, médio e longo prazo na dura caminhada por esse país soberano. O ano de 2012 foi um ano de intensa mobilização por recursos condizentes com o desafio que é radicalizar na melhoria da educação. Capitaneado pelos estudantes, hoje, todo o país conhece e concorda com a bandeira por 10% do PIB para a educação; hoje, o país reconhece a liderança da UNE a importância de termos os royalties do petróleo para a educação. Por uma Universidade para todos e de qualidade, por escolas públicas equipadas e bem preparadas, por salário digno aos professores, por currículos que atendam às reais necessidades do povo brasileiro.

Organizar um Conselho Nacional de Entidades de Base, um Encontro Nacional de Grêmios e uma Bienal no nosso estado faz parte desse árduo trabalho de luta pelo protagonismo e, em consequência, pela hegemonia. Serão milhares de grêmios estudantis, diretórios acadêmicos e estudantes de todo o país discutindo transformações que atingirão a totalidade de nossa população. Debatendo e afirmando que a Universidade precisa de uma Reforma que garanta qualidade, acesso e permanência para todos os estudantes. Além disso, nosso exército estará armado em várias outras trincheiras, debatendo cultura, ciências, esportes. Olinda e Recife, que hoje vivem momentos de otimismo e grandes expectativas, terão grande oportunidade de serem sedes de um momento histórico, mais uma vez protagonizado por nós, jovens socialistas.

Vamos à luta!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ausência


“Tchau, pai!” – Dizia eu ao avistar o avião por cima da cabeça.

Andávamos em fila, do maior ao menor, todos acenando com a mão para os seus pais no avião.

Tudo era ausência, ausência presente! Ausência que marca, e que faz parte do cenário. É como o silêncio que diz, como o negro da noite. É tudo ausência.

Ausência gritando por mais atenção, ausência que dá febre!

E de lá de baixo, eu ainda gritava: “Tchau, pai!”.

Ausência, nada mais que ausência, respondendo às chamadas da escola, explicando a excentricidade alheia. Ausência nos gritos de gol, ausência de voz...

E o avião passava, todos os dias... Mas já não achava graça em dizer o “tchau, pai!”

Adeus, a Deus eu pedia, que fosse adeus. Adeus para a ausência, cruzando os dedos para ela se fazer ausente, mas a ausência, teimosa, não deixava de se mostrar, de se exibir.

Mas a ausência é discreta, vez em quando vem me atormentar, nas palavras traiçoeiras de quem te protege, e a gente se acostuma, a gente se ausenta...

Aquela criança do “tchau, pai” tornou-se ausente, ausente dos abraços exagerados, dos sorrisos escangalhados.  Aquela criança, ao ver os aviões passarem, só lembra o quanto de ausência existe no mundo.

E lembra, como se desculpando, que todos somos um pouco de ausência.