sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Rima II

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sábado, 5 de dezembro de 2015

Presidenta da UNE afirma que impeachment é imoral


Para Carina Vitral medida é imoral e fruto de chantagem política
A presidenta da União Nacional dos Estudantes, Carina Vitral, pronunciou-se sobre a decisão do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que enfrenta processo de cassação no Congresso Nacional, em aceitar o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. Em declaração pelas redes sociais, ela afirmou que a medida é imoral e fruto de chantagem política.
“A aceitação do impeachment por Eduardo Cunha é imoral, sua admissibilidade é fruto de uma chantagem política e não terá apoio da UNE!.”, publicou em sua conta no microblog Twitter (@carina_une)
A UNE deverá reunir seus diretores, nos próximos dias, a fim de avaliar a conjuntura nacional e o posicionamento dos estudantes.  A presidenta prevê ainda que movimentos sociais e os estudantes irão às ruas para defender a democracia e reagir contra tentativa de desestabilizar um mandato legítimo.
“Cunha diz atender às ruas, mas nas ruas estamos lutando por direitos, como em SP contra fechamento das escolas. Não por impeachment furado”, divulgou.
A UNE seguirá ao lado da democracia, assim como fez em diversos momentos da história nacional, incluindo o período da ditadura militar entre 1964 e 1985. Os estudantes brasileiros não aceitarão movimentos de ruptura democrática e estarão ao lado do povo brasileiro e da soberania nacional
“Impeachment sem base legal é golpe, isso se parece mais com 1964 do que 1992.”, pontou na rede social a presidenta da UNE.

De www.une.org.br

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Resolução da 19ª Conferência Estadual do PCdoB em Pernambuco


O atual momento de instabilidade política que o Brasil vive desde as últimas eleições presidenciais, tem como verdadeiro pano de fundo a tentativa desesperada da elite brasileira, associada ao imperialismo, em interromper o ciclo político aberto pelas forças progressistas desde 2003, através da chegada de Lula à presidência da República.

Esse ciclo político, econômico e social, mudou a condição de vida da sociedade brasileira e pôs o Brasil em melhores condições internacionais, afirmando sua soberania, vocação econômica e necessidade de mudar a estrutura social desigual e aviltante para com a maioria da população.

Nesse período, iniciado em 2003, a economia nacional cresceu, reduzindo a inflação, distribuindo renda, diminuindo a miséria e aumentando o poder de compra das classes trabalhadoras. As reservas internacionais em dólar chegaram a US$ 371.745 bilhões, o país passou a ser credor do FMI e protagonista no que concerne às relações dos países em desenvolvimento, as relações sul-sul e, sobretudo, na América Latina. Tudo isso, iniciando um processo de transição do neoliberalismo - aplicado aqui de maneira brutal por FHC - a um projeto nacional desenvolvimentista, com centralidade no papel do Estado como condutor das grandes obras de infraestrutura e sociais de que o país precisa.
           
Obviamente, num país cujas elites sempre tiveram os olhos voltados a interesses antinacionais, somados à ausência de reformas estruturantes necessárias para o avanço do país, esse ciclo sofreria ameaças de todo tipo. As eleições presidenciais de 2014 que, mais uma vez, colocaram em lados opostos os dois projetos de país que duelam historicamente, também colocaram a amostra o nível da luta de classes no país. Com um resultado apertado, esse consórcio oposicionista, liderado pela aliança demo-tucano, pela mídia golpista e pelos setores rentistas, desde já passou a não aceitar o resultado das urnas e a todo custo desestabilizar o governo da presidenta eleita democraticamente.

Sob liderança dessas forças conservadoras, iniciou-se, no Brasil, assim como em vários países da América Latina – como Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador – uma forte ofensiva golpista e antidemocrática, numa clara tentativa das elites de mudar as regras do jogo para assim voltarem a governar e aplicarem as medidas neoliberais. Primeiro o pedido de auditoria das urnas, depois, tentativas incessantes de um “golpe constitucional” agindo através das forças conservadoras entranhadas na estrutura do Estado, tentando utilizar subterfúgios para interromper o legítimo mandato constitucional da Presidenta Dilma.

Nesse sentido, a instrumentalização política da Operação Lava-Jato, cuja investigação seletiva tenta a todo custo desmoralizar o PT, paralisa importante setor da economia nacional representado pelas empresas de engenharia, além de alimentar o movimento golpista para derrubar a Presidenta Dilma.

Essa operação que, em tese, busca punir os malfeitores da Petrobras não investiga os malfeitos cometidos de 2002 para trás. De modo que, com vazamentos seletivos de delações premiadas e prisões preventivas realizadas de maneira antidemocrática, joga água no moinho da quebra do Estado Democrático de Direito.

Esse ambiente político, portanto, tem dado cabimento ao ressurgimento das ideias conservadoras existentes em nossa democracia, com passeatas organizadas por grupos fascistas, mobilizados pela grande mídia monopolista, que pedem o impeachment da presidenta e, até, a volta da Ditadura Militar; a cultura do ódio e intolerância é disseminada e, em grande parte, reverberada no Congresso Nacional - principalmente na Câmara dos Deputados que, sob a liderança retrógrada do atual presidente Eduardo Cunha tem realizado votações que prejudicam o conjunto dos trabalhadores.

Somam-se a essa instabilidade política, os efeitos da crise econômica do capitalismo - que muito embora tenham sido enfrentados no Brasil logo no início, em 2007 - cujo epicentro é os Estados Unidos da América que tem devastado economias nacionais pelo mundo todo, em especial os países da Europa como a Grécia, Espanha e Portugal. Inserido nesse contexto, o nosso país tem sofrido os efeitos dessa crise mundial, numa fase em que alguns fatores como a diminuição do crescimento da China - principal parceiro comercial - e o baixo preço das commodities em geral exigem, como afirmou no início do ano o Primeiro Ministro chinês, um ajuste das economias nacionais.

            No entanto, o conhecimento dessa nova etapa da crise cíclica do capitalismo não impede de enxergar certo “esgotamento” do modelo econômico utilizado pelo governo brasileiro para combatê-la. Sendo correto afirmar que os mecanismos utilizados pelo então presidente Lula para combater os efeitos da crise, como o incentivo ao consumo através da isenção de impostos de alguns setores da indústria de bens duráveis como a da linha branca e a automotiva e da abundância de crédito pessoal como forma de fazer girar a roda da economia; é correto afirmar também que essa fórmula precisa ser atualizada, diante da necessidade de se fazer ajuste fiscal devido à incapacidade do estado de assumir ainda mais os ônus da crise.

Para isso, cabe reafirmar a plena consciência da necessidade de realizar ajustes nas contas do governo, contudo, para nós do PCdoB, é preciso aliar a contenção de gastos públicos, por um lado, com uma intensa retomada dos investimentos, que a esta altura encontram-se prejudicados diante da política de juros, que transfere 8% do PIB para a agiotagem do sistema financeiro, em lugar de permitir os investimentos na produção.

Nesse sentido, é importante valorizar o movimento, capitaneado pelo PCdoB, de lançar a Pauta da Virada, em contribuição à Agenda Brasil, pois tem como principal objetivo a retomada do crescimento econômico do país.

É preciso vencer a pauta golpista, garantido os avanços conquistados, com a perspectiva firme de que as reformas estruturantes consolidam a democracia e são passos importantes que edificam o caminho de uma nação forte rumo ao socialismo.

PERNAMBUCO

Em Pernambuco, estado que foi beneficiado pelo ciclo econômico iniciado em 2003, visto que um dos eixos basilares desse ciclo foi o combate às desigualdades regionais, os efeitos da crise também são sentidos.

Muitas das obras de infraestrutura que deram novo impulso a estagnada economia de Pernambuco foram iniciadas graças aos recursos federais e a uma exitosa parceria entre os então respectivos líderes Eduardo Campos e Lula. Nesse sentido é inarredável afirmarmos as conquistas obtidas em nosso estado no último período: reforço do pólo gesseiro do Araripe; transposição do Rio São Francisco; Ferrovia Transnordestina; adutoras; fortalecimento da indústria têxtil do Agreste; ampliação com interiorização do ensino técnico e superior; programas como o Ganhe o Mundo; obras de mobilidade urbana; além da refinaria de Suape, estaleiros e implementação da fábrica da Fiat. Estes investimentos resultam da diversificação da matriz econômica do estado, ampliando e descentralizando os pólos de desenvolvimento econômico por todas as regiões.

Todas essas conquistas, portanto, devem ser objeto de defesa dos comunistas nesse período de crise, a fim de que as obras que foram iniciadas em nosso estado não sejam vítimas do arrefecimento da economia nacional e local devendo, portanto, serem preservadas e ampliadas. Ao mesmo tempo, deve-se ampliar os investimentos nas pautas sociais, como educação, ciência e tecnologia e saúde.

No entanto, às dificuldades no plano econômico e social, somam-se elementos da política local de grande relevância para a continuidade do ciclo político e social do estado: primeiro a candidatura do então governador Eduardo Campos que, naquele momento, contribuiu para a desintegração de uma ampla frente que o elegeu em 2006, destacando-se o desligamento de partidos como o PT e o PTB; posteriormente, o vazio político deixado pela morte de Eduardo Campos, visto que o mesmo ocupava um  papel preponderante na condução dos rumos do estado. Associado a isso, com o enfraquecimento do principal partido de esquerda do Brasil no estado, instaura-se um ambiente um tanto quanto turvo na política local, enxergando-se as próximas eleições municipais como momento confuso e de dispersão das forças, que objetivam, nas eleições das grandes cidades, estabelecerem um novo protagonismo estadual, daí o papel que cumpre as eleições do Recife e Olinda.

Mesmo nessas condições, cabe ressaltar a postura equilibrada e propositiva do atual governador Paulo Câmara, que tem buscado soluções criativas para os problemas econômicos sem cair no erro da postura golpista, sendo crítico aos pedidos de impeachment feitos por elementos da oposição. O governador, como líder da 10ª economia do Brasil, tem realizado iniciativas importantes para o enfrentamento da crise econômica, mas, sobretudo, enfrentado as posturas antidemocráticas e utilizado os espaços que tem para defender o estado democrático de direito, participando de atos com a Presidenta Dilma e incentivando a retomada do crescimento econômico.

Sob liderança do governador Paulo Câmara, o estado tem se desafiado a dar respostas aos momentos de dificuldade que a grande maioria dos entes federativos brasileiros têm sofrido. Nesse sentido, é válido ressaltar a concordância com a busca que o governador tem feito para dirimir os efeitos da crise e, ao mesmo, tempo evitar que se paralisem as grandes obras que foram iniciadas no estado e que mudaram o perfil de Pernambuco.

PCdoB

Dessa forma, ao PCdoB, cabe o entendimento de que, em períodos de crise, várias oportunidades são criadas, e aqui em Pernambuco não é diferente. Por isso, nesse desafiante cenário, é fundamental por em prática em nossas cidades a construção de uma ampla frente em favor da democracia, identificando em cada território quem são os agentes emuladores de uma agenda política positiva para a região.

Tudo isso reforça o caráter revolucionário do nosso partido que, entendedor da natureza da crise política e econômica que vivemos, não sucumbe às pressões comodistas que enxergam que o fim da crise deva ser aguardado pacientemente, e muito menos às pressões esquerdistas que subestimam a amplitude de nossa tática e os ativos políticos já conquistados no estado e no país.

O PCdoB tem sido protagonista na defesa do estado democrático de direito e implacável combatente contra a campanha pelo golpe que por ora se instala no país. Nesse sentido, cabe frisar a postura altiva dos movimentos sociais, liderados pela UNE e CTB, cujos pés não saem da linha de frente do combate à direita raivosa e ao fascismo que têm se instalado no país.

A vitória no STF da proibição das doações de empresas a campanhas eleitorais, nada mais é do que uma vitória daqueles que pressionaram, a todo instante, para que passos reais fossem dados no sentido do enfrentamento à corrupção.

Por isso, ao PCdoB no estado de Pernambuco são tarefas urgentes a construção da Frente Brasil Popular nos mais variados lugares em que tenhamos influência – bairros, municípios e locais de atuação como universidades – visto que essa frente tem sido importante instrumento de mobilização popular; buscar ampliar a força do partido no estado, reconduzindo o partido às prefeituras de Olinda, Sanharó e Chã de Alegria; ampliar o número de prefeituras onde somos força aglutinadora e buscar eleger bancadas de vereadores no maior número de cidades possíveis, tendo como horizonte a perseguição por chapas próprias no máximo de municípios.

Igualmente necessária é a perseguição pela realização concreta da atividade organizativa em todas as suas esferas. No funcionamento perene, politizado e amplo das organizações de bases; na renovação, alternância e capacitação política dos quadros dirigentes municipais e da militância como um todo; na participação ativa e planejada da ação política junto ao povo visando uma maior ligação com as massas e aumentando a influência de nossa ideias nas frentes sociais; no enfrentamento da construção da base material partidária realizando um “senso financeiro” com o objetivo primordial de colocar em prática os deveres militantes - que tem sentido educativo – e mapeando as possibilidades para uma melhor gestão do fazer partidário; no incentivo do funcionamento das comissões auxiliares em âmbito estadual e nos principais municípios como forma eficaz de promover a unidade de pensamento e ação política e do seu planejamento; na implantação de um novo dinamismo na frente de comunicação, propaganda e cultural valorizando os instrumentos partidários e a nossa presença na luta de ideias com a troca de opiniões e incentivo ao convívio com os setores democráticos, nacionalistas e progressistas da intelectualidade e organizações da sociedade civil organizada; na disputa pela hegemonia no campo da luta social é preciso retomar a organicidade dos comunistas em um maior grau para que ampliem a sua participação e influência e se tornem protagonistas da unidade e da luta social.
 
Sendo assim cabe, nesse período de conferência, ampliar nossos horizontes e adotar um comportamento tático que traga, para as fileiras do partido, os frutos da ousadia e perseverança traduzidas nas próximas eleições municipais. Defender a democracia e o mandato da presidenta Dilma; combater a corrupção, cujo principal patrocinador é o financiamento empresarial de campanhas; defender a Petrobras, a engenharia nacional e a retomada do desenvolvimento econômico sem perda de direitos e preparar o Partido para os embates atuais e futuros, reafirmando a identidade e o programa partidário, são tarefas de todos e agora no rumo do socialismo.


PCdoB chama pra LUTA!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Vivo

Se não houvesse as sirenes
para lembrar-me que o mundo é cão
para dizer-me ainda são

talvez só escutasse o silêncio
talvez só sentisse a solidão
ou o amargo gosto das flores em que pisei

Se não fosse o cinza dos céus
para fazer-me acreditar que a chuva irá cair
poderia deitar-me e esperar a reação
a bendita unção que os tolos dizem acreditar

se não fossem as orações ditas por minha mãe
confundiria-me com os cães
que ladram esperanças e maledicências
que trocam fúrias pelo papel
enganando a fome e bendizendo Deus

Se não fossem as dores que sinto
não mentiria como minto
pela ponta da caneta
anunciando como trombeta
que posso dizer adeus

acenando com os braços meus
àqueles que fingem saudade
lembrando o que a pouca idade
ainda não corroeu.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

É preciso ser do tamanho das nossas ideias!


Participar ativamente da luta política em um país como o Brasil exige de nós, comunistas, a certeza de que é preciso, mais do que ninguém, trabalhar. A luta revolucionária é um trabalho de várias mãos e mentes, cujo avanço vai depender sobremaneira das condições históricas, mas, sobretudo de uma justa postura tática e certeza da aplicação dessa tática mediante os desafios vividos.

As condições históricas para os brasileiros, certamente, não é das melhores. Afinal de contas, levando em consideração que ainda vivemos numa defensiva estratégica histórica do socialismo no mundo, e ainda, vivemos num país cujas ideias conservadoras dão o tom da nossa superestrutura política e ideológica, hoje mais do que nunca, precisamos fazer do trabalho revolucionário algo ainda mais ativo.

Esse trabalho, nas condições em que vivemos, passa necessariamente por conquistarmos mais pessoas para as nossas fileiras, incluindo os lutadores do povo das mais diferentes matizes – jovens, mulheres, negros, lgbt’s, operários, camponeses, intelectuais, cidadãos das pequenas, médias e grandes cidades – numa busca incessante pela conquista da hegemonia, exercitada  cotidianamente no seio do povo.

No ambiente atual que o Brasil vive, tem-se tornado cada vez mais consensual a ideia de que a crise gera oportunidade para as forças de esquerda mais responsáveis; no entanto, essa oportunidade não se dá de maneira mecanicista, automática; requer a dedicação à causa revolucionária nas suas mais diversas formas de acumulação de forças, mirando o crescimento partidário, numérica e qualitativamente. Soma-se ao esforço, a certeza de que, com unidade de ação, as chances de crescermos são motivadoras, visto que nossas ideias são as mais justas. Afinal de contas, não fosse o tamanho das nossas ideias, as classes dominantes teriam nos esmagado há muito tempo – como já tentaram diversas vezes em nossos 93 anos de história – mas resistimos e influenciamos a luta política, mesmo não tendo a força que precisamos ter, pois nossas ideias são grandes!

Dessa forma, na quadra política atual, precisamos mais do que de ideias grandes, precisamos ser grandes! Influenciar cada vez mais corações e mentes, enraizarmo-nos na vida do povo, a ponto de fundirmo-nos a ele. Ser grande, no estágio da luta de classes atual, não pode ser apenas uma vontade, mas uma necessidade; não só fazer parte dos discursos, mas da ação cotidiana, mesmo que para isso sejam necessárias flexões táticas, desconstrução de paradigmas e de dogmas que só privilegiam o estático.

Ser grande, nas condições de hoje, é saber dialogar com as mais diversas formas de se fazer luta política, ser grande é influenciar as ideias que circulam nos meios acadêmicos, midiáticos, sociais; ser grande é movimentar o povo para avançar em suas conquistas nas ruas; ser grande é ter força eleitoral e disputar os rumos de nosso país nos parlamentos e nos governos. Ser grande é manter a amplitude tática, a unidade partidária, em prol do sistema de justiça e abundância.

Por isso, fazer das nossas “pedras, noites e poemas” armas para enfrentar a real necessidade de crescer, combatendo os esquematismos e estreitezas que, porventura, nos cercam, é tarefa coletiva, urgente. Pois, para garantirmos a democracia, a diminuição das desigualdades, o desenvolvimento, a justiça e o bem comum da humanidade, precisamos ser grandes, precisamos ser do tamanho das nossas ideias!


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Marx e Nabuco: exemplos que o século XIX nos deu


"O grande século XIX", como afirmara Eric J. Hobsbawm, de fato, significa uma mudança extraordinária nos rumos da humanidade. Nesse período histórico, várias foram as "invenções" - técnicas, tecnológicas, humanas e científicas - que influenciam a forma como nos relacionamos até os dias de hoje. As concepções filosóficas do período, as revoluções que alijaram determinadas classes do poder e elevaram outras; o nacionalismo, o liberalismo e abundância pós industrialização, para além de elevar a "qualidade de vida" da humanidade, gerou contradições e as tentativas de resoluções pela nascente classe proletária, dentre elas, a mais importante, e que mobiliza homens e mulheres até hoje: o socialismo.

Nas palavras de Hobsbawm, "'a própria novidade e a rapidez da mudança social que os envolvia, encorajava os trabalhadores a pensar em termos de uma sociedade totalmente diversa, baseada na sua experiência e em suas ideias em oposição às de seus opressores. Seria 'socialista', e representaria não o eterno sonho da sociedade livre, que os pobres sempre levam no recôndito de suas mentes (...)". Nesse sentido, emerge, de maneira protagonista, a figura de Marx, como grande homem do período e da humanidade até os dias atuais. Ainda segundo Hobsbawm, "para Marx a sociedade humana havia inevitavelmente dividido o comunismo primitivo em classes, inevitavelmente se desenvolvia através de uma série de sociedades classistas, cada uma delas contendo as 'contradições internas' que, a certa altura, se constituem em obstáculo para o progresso futuro e geram as forças para sua superação. O capitalismo era a última delas (...)". Ainda nesse sentido, cumpre papel preponderante o desenvolvimento das ciências sociais, que, segundo Hobsbawm, "fertilizou as ciências biológicas e até mesmo as físicas". 

Todos esses avanços - práticos e de concepções - são identificados a partir de uma determinada sociedade - a europeia - cujo desenvolvimento das forças produtivas puderam levar a essa sequência de fatos, inclusive à superexploração dos povos mais pobres. Nesse sentido, vale lembrar a quantas andava o Brasil nesse período, e quais eram os desafios a serem enfrentados.

Para se ter ideia, enquanto a classe trabalhadora reivindicava melhores condições de trabalho na Europa, no Brasil, ainda  conquistávamos a independência do país (1822); proibíamos o tráfico negreiro (1850); abolíamos a escravidão (1888); proclamávamos a República (1889) e, até 1930, ainda éramos, quase absolutamente, dominados pelas oligarquias latifundiárias e do capital mercantil, ocupando, nas palavras de Augusto Buonicore, "um lugar bem determinado na divisão internacional do trabalho imposta pelo colonialismo e depois pelo imperialismo: como produtor de matérias-primas e alimentos (açúcar, café, algodão, cacau, borracha etc.)".

Obviamente, num contexto como esse, urgia como grande desafio a tarefa concluída apenas em 1888, que foi a abolição da escravidão. Para se ter ideia, segundo  Augusto Buonicore, "em 1822, quando da Independência, o Brasil tinha aproximadamente 4 milhões de habitantes, e um milhão e duzentos mil eram escravos. Em 1850, ano do fim do tráfico, já havia cerca de 8 milhões de habitantes e dois milhões e meio de escravos. Isto representava um pouco mais de 1/4 da população brasileira." Portanto, aqui, também emergiram figuras de porte para emancipação humana e nacional, como é o caso de Joaquim Nabuco.

O recifense Joaquim Nabuco, além de político, diplomata, jornalista, historiador e jurista, foi um grande defensor da liberdade, um homem que fez da política um instrumento para romper com o estado de coisas que encontrava, nesse período, tendo a escravidão como grande obstáculo ao avanço da sociedade, liderando deputados em torno da bandeira do abolicionismo. Além disso, se colocava na dianteira dos defensores do pan-americanismo de San Martín e Simon Bolívar e da liberdade religiosa.

O que mais chama atenção é que, embora monarquista, Joaquim Nabuco, assim como Marx, era um homem a frente de seu tempo. Considerava a escravidão como algo muito mais significativo, pois significava a soma do poderio, influência, capital; "o feudalismo estabelecido no interior". Denunciava como a escravidão impedia o desenvolvimento da indústria brasileira; algo que crescia na Europa no período. Além de criticar a anuência que a Igreja Católica dava à escravidão.

Em discurso em São José, defendia a reforma agrária: "O período atual, porém, não é de conservação, é de reforma, tão extensa, tão larga e tão profunda que se possa chamar revolução; de uma reforma que tire esse povo do subterrâneo escuro da escravidão onde ele viveu sempre, e lhe faça ver a luz do século XIX. Sabeis que reforma é essa? É preciso dizê-lo com a maior franqueza: é uma lei de abolição que seja também uma lei agrária."

Mesmo liberal, já denunciava as principais contradições do capitalismo: "eles representam a riqueza acumulada, vós representais o trabalho, e as sociedades não vivem pela riqueza acumulada, vivem pelo trabalho". Convocava o embrionário operariado nacional a combater os conservadores: "quem tem à vista desse quadro mais interesse em que a marcha da sociedade seja tão regular e contínua como a de um relógio ou das estações - o capitalista ou o operário?"

Além de fazer a crítica ao período monopolista do capitalismo: "não tenho receio de destruir a propriedade privada fazendo que ela não seja um monopólio e generalizando-a, porque onde há grande número de pequenos proprietários a propriedade está muito mais firme e solidamente fundada do que onde por leis injustas ela é o privilégio de muito poucos."

Nesse sentido, levando em consideração a sociedade em que vivia, é preciso reconhecer Joaquim Nabuco como um dos verdadeiros protagonistas dos saltos civilizacionais por que a sociedade brasileira já passou, colocando-o, assim como Marx, no "hall" de homens e mulheres que o século XIX produziu para que atingíssemos um grau mais elevado de humanidade.

Num mundo cujas guerras, fome, terrorismo(s), intolerâncias e tentativas anti-democráticas perduram, as obras a que essas duas figuras combateram permanecem matando e subjugando a humanidade a interesses escusos de uma minoria dominante. É preciso acabar com a obra do capitalismo, é preciso acabar com a obra da escravidão!

Para isso, é preciso mirar-se no exemplo daqueles que fizeram da política o instrumento fundamental de mudança da sociedade. Desses dois homens, que, imbuídos de esperança na humanidade - o verdadeiro humanismo - valeram-se de amplitude tática para perseverar em seus objetivos, cujas conquistas - parciais ou não - iluminam a trajetória de homens e mulheres que lutam pela emancipação humana até os dias atuais.

Caso não existissem homens como esses, o mundo seria muito mais facilmente dirigido por aqueles que querem que "a marcha da sociedade seja tão regular e contínua como a de um relógio". Não fosse a luta dos socialistas na Europa, não teríamos jornadas de trabalho mais dignas, direitos trabalhistas, ou o estado de bem estar social. É como consequência da luta dos que combateram a escravidão, que os programas sociais brasileiros existem hoje, que trabalhadores domésticos têm seus direitos.tão duramente conquistados. E é por ver que exemplos como esses atravessam a história que fazemos a luta valer a pena, continuar no caminho de mudanças que os verdadeiros revolucionários preferiram percorrer. Há muito mais de 100 anos, alguns ousaram fazer, e por essa obra vale a pena lutar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Literatura e engajamento social: a experiência do Neorrealismo português

A literatura e o contexto

Nos mais variados momentos da História, a arte apresenta-se como mecanismo de transformação da sociedade, ou, pelo menos, como forma de reivindicar a transformação que homens e mulheres almejam.

Na literatura, portanto, não seria diferente. O papel social que ela pode cumprir foi e é alvo de polêmicas e investigações acerca da eficiência ou da maneira como, literariamente, podem-se analisar textos cujo projeto de sociedade está bem delimitado. Várias obras da literatura mundial atestam esse papel que pode ser exercido, o que corrobora a opinião de que o momento histórico pode ser representado nas obras literárias. De acordo com Waizbort (2004) é o terreno concreto, real, histórico que “lastreia e dá tessitura ao problema do realismo, tal como Auerbach o compreende”, não sendo, também, de acordo com Eagleton (1943), adequado entender que a literatura “reflete” de maneira direta a realidade.

Dessa forma, na década de 1930, período histórico que chamamos de “entre- guerras”, marcada pela articulação do Regime Socialista da então União Soviética; a grande crise da bolsa de Nova York e a preparação do que seria o Nazifascismo e a Segunda Grande Guerra, tendo, em Portugal, pela influência fascista, um regime autoritário denominado de Estado Novo, e como liderança a nefasta figura do ditador Salazar, surge um movimento literário que passa a dar atenção primária às tensões entre classes que o mundo e a sociedade como um todo vivia. Nasce daí, então, o Neorrealismo, em oposição à literatura de projeto demasiadamente subjetivista e psicologizante da revista Presença, marcando um estilo em que os projetos de sociedade que duelariam posteriormente na Guerra Fria fossem colocados à mostra na representação que o movimento expunha.

O engajamento na literatura

Segundo o escritor húngaro György Lukács, “a literatura pode representar os contrastes, as lutas e os conflitos da vida social tal como eles se manifestam no espírito, na vida do homem real. Portanto, a literatura oferece um campo vasto e significativo para descobrir e investigar a realidade”.

Para Plekanov (apud Torres, 1983), o artista não deve se limitar ao “auto-comprazimento do seu ego”, pois, dessa forma, desfigura sua forma de enxergar o mundo. Para ele, “tudo o que contribua para que a opressão acabe, tudo isso é progresso social, e uma arte ligada a esta ideia estrutural é certamente uma arte socialmente progressiva.”

Segundo Denis (2002), “o escritor engajado é aquele que assumiu, explicitamente, uma série de compromissos com relação à coletividade, que ligou-se de alguma forma a ela por uma promessa e que joga nessa partida a sua credibilidade e a sua reputação.” Para o autor, “engajar a literatura, parece bem significar que a colocam em penhor: inscrevem-na num processo que a ultrapassa, fazem-na servir a alguma outra coisa que não ela mesma, mas, ainda mais, colocam-na em jogo, no sentido em que ela se torna a parte interessada de uma transação”.

O Neorrealismo

O Neorrealismo português é um movimento literário que teve início entre as décadas de 30 e 40, mais precisamente com a obra Gaibéus de Alves Redol, período em que se iniciou o regime totalitarista em Portugal, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial, o que justifica o assentamento no compromisso político e social de nomes como Alves Redol, Manuel da Fonseca, Joaquim Namorado, Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes e Fernando Namora; sem abandonar o apreço pela dimensão formal de suas literaturas.

Segundo Mário Dionísio (apud TORRES, 1983), “(...) O Neorrealismo não se ‘debruça’ sobre o povo, mistura-se com ele a ponto das suas obras não serem mais do que uma das muitas vozes dele”.

Ainda em Torres (1983), retirada de resposta anônima na revista Globo de 1944, pode-se identificar aquela que talvez seja a melhor definição sobre o que, de fato, seria o Neorrealismo, afirmando ser uma oposição ao “Humanismo burguês de oitocentos”. Na resposta, ainda define-se que o Neorrealismo não compreende o homem desligado da vida social e encara-o de um ângulo diferente de observação, desejando um maior aprofundamento do individuo.

Esse engajamento do movimento neorrealista se justifica na origem marxista-leninista de seus autores e da estética do Realismo Socialista da URSS. Além disso, há uma ruptura com os autores do modernismo da geração de 1870, cuja ideologia socialista beirava o utópico ou burguês-liberal, muitas vezes flertando com nomes como Proudhon. Segundo Alexandre Pinheiro Torres, “a recusa deste tipo de socialismo utópico é condição sine qua non para o estabelecimento teórico do Neo-Realismo.

Dentro dessa perspectiva de literatura com intervenção social e influência do Ralismo Socialista, destaca-se a figura do escritor Soeiro Pereira Gomes, morto aos 40 anos de idade, cujo espólio literário é curto: a publicação de dois romances (Esteiros e Engrenagem). Engrenagem, por sinal, publicado postumamente, foi redigido no período de clandestinidade do autor que era dirigente do Partido Comunista Português.

Conclusão

Relembrar esse movimento literário e esses autores é, portanto, de suma importância para compreensão do papel que a arte pode cumprir no sentido de resistência e reação ao status quo. No caso de intelectuais conscientes de seu papel na sociedade, a literatura a música e tantas outras manifestações artísticas têm grande utilidade na tentativa de transformação da influência dialética entre base econômica e superestrutura política e ideológica.

Se é verdade que a ideologia da classe dominante é a ideologia dominante, é verdade também que com base na elevação do nível de consciência da população é possível realizar transformações profundas na nossa sociedade.

Portugal, mesmo não sendo uma nação socialista, viveu isso, com a Revolução dos Cravos, e conseguiu estabelecer um estado mais democrático, justo e culturalmente elevado. Para isso, tenho certeza, a contribuição dos neorrealistas foi fundamental.